<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534</id><updated>2011-04-21T21:48:29.516-07:00</updated><title type='text'>Sentar e esperar ver o mundo de novo.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://auricioau.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1073257000685378720</id><published>2008-03-05T05:15:00.000-08:00</published><updated>2008-03-05T05:16:23.056-08:00</updated><title type='text'>Você não gosta de mim.</title><content type='html'>Que pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não gosta de mim.&lt;br /&gt;Que pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos ter um ao outro para dividir o jornal e as manhãs.&lt;br /&gt;Podíamos ficar observando a cortina voejar janela adentro&lt;br /&gt;e os nossos papéis espalhados&lt;br /&gt;sobre os lençóis&lt;br /&gt;espelhos&lt;br /&gt;aquários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos ficar despenteados aos domingos.&lt;br /&gt;Podíamos nunca mais nos pentear&lt;br /&gt;nem ficar sozinhos&lt;br /&gt;ou vestir roupas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;podíamos ter uma luneta&lt;br /&gt;uma árvore torta na calçada&lt;br /&gt;uma escadaria em forma de caracol&lt;br /&gt;um sótão, uma lareira&lt;br /&gt;ou nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos viver a história secreta que sempre quisemos compartilhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quem sabe até ganhar na loteria&lt;br /&gt;sonegar impostos&lt;br /&gt;acreditar em horóscopos&lt;br /&gt;ou em futuro&lt;br /&gt;andar no arame&lt;br /&gt;colecionar moedas.&lt;br /&gt;Viagens. Fotografias. Souvenirs.&lt;br /&gt;Filhos lindos, estabanados, falastrões e geniais.&lt;br /&gt;Sobrinhos. Netos. Natais. Cometas Halley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podíamos ter tudo, e tanto.&lt;br /&gt;Mas você não gosta de mim.&lt;br /&gt;Tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é uma pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pri.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1073257000685378720?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1073257000685378720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1073257000685378720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/03/voc-no-gosta-de-mim.html' title='Você não gosta de mim.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1394847589562190756</id><published>2008-02-25T15:21:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T15:23:03.197-08:00</updated><title type='text'>Batidas.</title><content type='html'>Eu estava sentado perto da calçada. Ventava forte por causa dos prédios e fingia não te ver, pois a idéia de conversar com você me apavorava. Mas os meus truques e disfarces nunca funcionavam. Então você veio até onde eu estava e disse oi. Os seus olhos estavam de uma cor tão púrpura e o cheiro do seu cabelo era tão doce... O meu corpo alcançava o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas noites depois, saímos para tomar um uísque e meu coração já estava completamente entorpecido. Enquanto bebíamos, você acendeu um cigarro e meus olhos ficaram hipnotizados pelo movimento dos seus dedos e da sua boca. Depois de algumas doses, disse que te levaria pra casa antes que ficássemos bêbados demais. Saímos do pub escuro de música estranha. A noite estava leve. Entramos no carro e coloquei Just like starting over do John Lennon. Você piscou devagar e deu um sorriso macio de satisfação. Antes mesmo de dar a partida, enquanto eu colocava a chave no contato, você me beijou. Foi um beijo tão suave que meus olhos se enchem de lágrimas quando lembro. Demos risada depois do beijo, talvez porque naquele momento, nós dois sentimos que era o primeiro de muitos. Nossas almas estavam conectadas. Só hoje percebo que bebemos demais aquela noite. Sim. Éramos almas conectadas, John Lennon e uísques. Até aquela Saveiro velha bater na parte direita do carro e darmos de encontro com um muro por cima da calçada. Quando acordei – acredito que poucos segundos depois da batida – o seu rosto já estava completamente ensaguentado e você, desacordada. O meu desespero era tanto que me faltava ar pra conseguir pronunciar uma palavra sequer. Quando olhei pro lado de fora do carro, vi dois homens correndo na nossa direção. Minutos depois, eu estava tonto, sentado na calçada, sentindo escorrer sangue da testa até a nuca. Não lembro quanto tempo demorou pra chegar a ambulância e carros da polícia. Mas lembro que via luzes e ouvia o barulho assustador das sirenes se aproximando. Desde então, eu não tenho vida. Eu não sei mais viver. Não sei respirar, não sei sorrir, não sei viver sem medo. Hoje fui te visitar no hospital e mal sei como consegui entrar naquele quarto branco com cheiro de morte lenta. Eu tremia tanto... Acho que não consegui olhar nos seus olhos por mais de três segundos consecutivos. Sua imagem  pálida, seu corpo imobilizado. Você não falou nada. E eu entendo, porque também fiquei o tempo todo em silêncio. As minhas mãos estavam geladas. Eu me sentia culpado. Dei um beijo na sua testa e saí do quarto mudo, com os olhos cheios de lágrimas. Em um pânico silencioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Débora Lopes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1394847589562190756?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1394847589562190756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1394847589562190756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/02/batidas.html' title='Batidas.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-4317362730706255471</id><published>2008-02-25T15:20:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T15:21:37.994-08:00</updated><title type='text'>Por que eu gosto de você.</title><content type='html'>Eu gosto de você porque somos cúmplices. Gostamos de cachecóis, palavrões e coincidências; não gostamos de elevadores, soluços e silêncios. Gosto da insônia que nos deu uma coleção de madrugadas para relembrar. Gosto dos finais imprevisíveis das suas histórias e de figurar nelas. Gosto do seu olhar de ventania, do seu jeito azul de rir, feito uma manhã de outono. Gosto do seu coração que parece expandir o tempo todo. Do barulho que as moedas fazem no seu bolso quando você anda. Da sua insistência em não correr nem mesmo quando aperta a chuva. Da mania de distribuir esmolas o tempo todo a quem pedir. Da maneira com que você acerta os óculos no meu rosto. Do nosso timing - não falamos na vez do outro e ouvimos muito atentamente enquanto um dos dois fala. Gosto da nossa respeitosa cerimônia. Gosto de te ver guardar meus segredos e nunca mais tocar no assunto, só para deixar claro o quão bem estão guardados. Gosto do nosso medo de morto e do escuro - Importante: todas as vezes que preciso apagar as luzes me lembro das nossas mãos dadas para que o medo passe. Gosto das nossas diferenças. Gosto do que se move em você, das coisas que você cultiva em redor, das cores que você escolhe. De quando você pergunta por onde anda aquela camiseta que eu não uso faz tempo. Gosto de te ver fingir que gostou de algo que eu quis muito mostrar. Gosto do seu tom, da sua mãe, da sua educação, de te ver modificar as coisas, das suas omissões e seu interior tão finamente lapidado. Gosto de sentir saudades. Sua ausência não é amarga, uma parte de você sempre fica do meu lado, vigilante. Gosto de você porque somos partidários. Porque somos reticentes. Porque somos o que somos. E porque ainda não existimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Priscila.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-4317362730706255471?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/4317362730706255471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/4317362730706255471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/02/por-que-eu-gosto-de-voc.html' title='Por que eu gosto de você.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8830260367984097316</id><published>2008-02-25T15:18:00.002-08:00</published><updated>2008-02-25T15:20:08.767-08:00</updated><title type='text'>Para um lírio dormindo.</title><content type='html'>Uma homenagem suja a um amor meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu quero te falar várias coisas, Felipe. Acorda. Vai, por favor. É, tem que ser agora sim. Se eu não falar tudo agora, tudo hoje, você nunca vai saber. Porque sim, cara, deu vontade de falar tudo agora. Não, eu não tô a fim de reclamar, eu quero só falar coisas. E eu sei que amanhã de manhã será tudo igual. É, eu sei. Aham, eu quero falar mesmo assim. Porra, custa ouvir? Pára de me interromper e ouve, porque se eu não falar tudo agora não vai dar mais tempo e você vai viver sem ter ouvido isso. Não, você não vai morrer. E eu detesto as suas piadinhas. É. Eu posso até rir vezenquando e dizer que sim, que não, interagir com a sua piada medíocre. Não, eu não quero ofender ninguém, Felipe, mas as suas piadas são sim medíocres. Você sabe que são, não faz essa cara. E eu detesto mais ainda quando você faz piadas na frente dos meus pais. É tão inconveniente, Felipe. E você sempre faz. Você fala que não vai mais fazer, você promete, jura, mas você sempre faz. Por isso que o meu pai não gosta muito de você. É, não gosta. Ah, não faz essa cara de espanto, você sempre soube. Minha mãe? Sei lá, minha mãe não fala muito, acho que ela gosta sim. Também a minha mãe gosta de qualquer um, cara. Não, você não é qualquer um. Se você fosse qualquer um eu não estaria só de calcinha dividindo a cama contigo em um apartamento que fede de dia. É, isso aqui fede de dia, quando o caminhão de lixo passa. Você sabe que fede, cara, não faz essa cara de nojo pro que eu tô falando. Merda, me escuta. Então. Eu odeio quando você faz piadinhas na frente dos meus pais. Mas eu odeio mesmo. Porque mostra pra eles que eu sou uma merda. É, cara. Dá pra parar? Larga meu braço. Larga o meu braço, porra. Eu estudei nos Estados Unidos, sabe. É, eu fiz faculdade lá e o escambau. Volto, com trinta anos e fico dividindo cama, apartamento, vida com você. Não, o problema não é você não ter feito faculdade. O problema é que você enche o saco. Você fala demais e você se acha inteligente demais, só que você não sabe nada sobre nada. Tá, tirando os programas de computador – você não sabe nada sobre nada, cara. Em suma, você não fez faculdade. E o meu pai é pêagádê em História da Arte, cara. Tu sabe o que é isso? Não, ele não é que nem os outros intelectuais escrotos. O meu pai não é escroto, cara. Ele sabe pra caralho de Arte. É, arte com letra maiúscula mesmo. Webdesign não é a mesma coisa, Felipe, deixa de ser chato. Arte. Picasso. Rodin. Portinari. Eu sei que você já ouviu falar deles, mas ser pêagádê em Arte é bem diferente. E eu não sei porquê eu tô falando do meu pai. Não, eu não te acordei pra dar lição de moral, eu te acordei porque você precisa escutar tudo o que eu tenho pra dizer. Eu odeio dividir esse apartamento contigo. É, eu acho escroto o jeito como você não liga pra nada. A única coisa limpa aqui é o seu computador. Não, não tô falando isso por causa da minha mãe. Não, minha mãe não falou nada hoje. Eu pedi já pra não interromper, lembra? Tô falando porque acho um saco ter ficar catando as suas roupas por aí e acho uma merda ter que cuidar de você às vezes. Tenho raiva dos seus copos sujos, dos cinzeiros cheios sempre. E da lata de lixo que você não troca. Você é a pessoa mais mimada que eu já conheci. E olha que eu tinha uma prima, a Paola, que era do tipo mais mimada possível. E você ganhou da Paola, cara. Quando eu tinha cinco anos e ela deu um escândalo porque eu dei um banho na barbie dela eu jurei que ninguém superaria a Paola. E eu tô dividindo cama, mesa, banho e apartamento com o maior professor que a Paola poderia ter. Eu já teria me beliscado, se eu tivesse cinco anos agora. Não, não é pra ofender. E eu também não quero brigar. Eu só tô falando tudo agora porque sim. Porque eu tô com vontade, porque eu acho que vai ser importante. Onde você vai? Não, Felipe, deita aqui. Não, eu não tô com fome. Será que você pode tentar me ouvir assim, sem preocupação. É, sem preocupação. Finge ao menos que você se importa. Olha pra mim. Então, eu quero dizer também que eu sei que a Bianca já te beijou. É, eu vi aquele dia. Eu não sei porquê eu não contei. Eu fiquei em estado de choque, eu acho. Eu esperava qualquer coisa dela, menos isso. É, eu sei que ela é uma piranha. Aham, eu vi tudo. É, eu fiquei atrás da porta só ouvindo. E achei lindo o que você falou pra ela. É. Sério. Não, não achei idiota, não, não acho você gay por causa disso. Eu sei também que ela é gostosa. É. Bem mais bonita do que eu até. É, é sim, não adianta você falar nada. Mas eu gostei de verdade de ouvir aquilo tudo. É, porque eu senti que você gostava de mim de verdade. Uhum. De verdade. Eu sempre gostei de você, desde quando o Pedro me apresentou a você. Você sabia que ele só me apresentou a você porque eu pedi. É. Eu vi você conversando com o Paulo sobre os novos lançamentos da EMI e eu achei lindo o modo como você falou de música. Eu achei lindo. É. Não. Não, porra, pára com essa paranóia de viadagem. Nem tudo o que você faz é coisa de viado. É, tá, tem uma outra coisa que é de viado sim. Não sei. Tá, é que eu sei que você vai ficar puto. É, eu acho que o jeito como você arruma o seu cabelo é meio de bicha. É. Não, eu não quero que mude, eu acho que fica bonito. Mas esquece isso. Eu quero falar outras coisas. Eu quero que você saiba o quanto eu gostei de você. É, eu fiquei quase sem dormir quando eu cheguei em casa depois daquela festa. Eu fiquei a noite inteira repassando os diálogos e eu escrevi no meu diário. É, porra, eu tinha um diário, e daí? Eu disse que você tinha sido o único cara até aquele momento que eu queria que me ligasse de verdade. É. Aham. Não, eu não dei o meu telefone certo pra muitos caras, mas já dei pra uns dez ou nove aí. Não. Acho que com dois só eu saí pela segunda vez. Não, isso não importa. Deixa eu falar. Então eu fiquei a noite inteira pensando no selinho que você tinha me dado. E tava chovendo e o táxi já tava querendo ir embora e eu estava encharcada. É, você também, mas eu tava com uma blusa branca, lembra? Não, não era rosa, era branca. E aí eu achei lindo você pegar o meu telefone e depois me dar um selinho. Porque eu nunca esperei isso de um cara de vinte e seis anos. Não, eu achava que você ia querer me comer logo, eu achava que a gente ia pra algum motel, sei lá. Nunca pensei que você ia se contentar em me dar um selinho e me colocar num táxi. Não, eu não queria ir pra um motel. Não, eu também não tô falando que só viado faz isso. Porra, Felipe, tu tá enchendo com esse papo de gay pra lá gay pra cá. Esquece. Eu só queria dizer que várias vezes eu já quis terminar contigo e eu não terminei por causa do selinho. É, só por causa do selinho mesmo. Achei poético demais aquele beijo na chuva com um táxi do lado. Em todo filme americano tem isso. Acho que por isso que eu gostei tanto. Não, eu não gosto agora de filme americano, eu tô falando que eu gostei porque quando eu era menor o meu sonho era que coisas de filme acontecessem comigo. É. Uhum, você realizou um sonho meu sem saber. Eu imaginava que você não lembrava do beijo. Não, não é insensível isso, mas é. Não, não é insensível, é só que é óbvio que você não ia lembrar mesmo. Eu nem sei como eu lembro. Faz mais de um ano. E depois eu fiquei esperando você ligar e quando você ligou eu quase chorei. É, sei lá porquê. Chorei até, no banheiro, me arrumando. Estraguei a maquiagem e decidi ir sem lápis no olho. É engraçado lembrar disso tudo. Juro que é. É como se eu tivesse lendo o meu diário. Não, tá lá na minha casa. É, na casa da minha mãe. Não, eu não sei que horas são. Eu sei que eu te acordei, Felipe, porque eu queria te contar como eu gosto de você. E, ao mesmo tempo, como eu detesto um monte de coisas que você faz. Eu detesto a sua toalha molhada no chão da cozinha, eu detesto o cheiro da sua boca de manhã. É, todo mundo tem, mas eu não gosto mesmo. Eu não gosto quando você conta suas piadas e nem da sua irresponsabilidade pseudo-rebelde. Porque é bonitinho usar calça rasgada aos quinze, já aos vinte e tantos soa ridículo. Mas eu amo as suas calças rasgadas e os seus tênis de cinco anos e suas blusas do Che. Eu amo as suas blusas do Che. Adoro o Martini que você faz pra mim e gosto dos livros que você me deu. Gosto deles mais do que falo que gosto. Eu acordei você pra te contar que eu te amo muito e por mais que eu só tenha falado isso depois de transas ou de conquistas, eu te amo pra caramba, cara. Eu acho que eu não poderia mais dormir se não fosse nesse apartamento desorganizado e nessa cama pequena demais pras tuas pernas. Eu acho que eu sempre vou precisar de você e morro de medo de você morrer. Porque eu sei que as pessoas morrem, mas se você morrer, Felipe, eu tô fudida. Eu acho que eu morro junto. Eu sei que isso é clichê, eu sei que é ridículo eu te acordar pra falar isso, mas eu precisava ter certeza de que eu te disse tudo o que eu sinto. Eu precisava saber que você sabe que eu sei que você sabe que eu te amo pra caralho. Porra, Felipe, que merda. Acorda, cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8830260367984097316?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8830260367984097316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8830260367984097316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/02/para-um-lrio-dormindo.html' title='Para um lírio dormindo.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1709087924326575270</id><published>2008-02-25T15:18:00.001-08:00</published><updated>2008-02-25T15:18:51.231-08:00</updated><title type='text'>Eu estou desarmada.</title><content type='html'>E ela foi embora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era minha hora de almoço. Acendi um cigarro pra enganar a fome e botei uma música na cabeça pra não pensar que tudo estava sendo um desgosto. Eu tinha medo de fazer a matemática da minha vida. Eu queria enxergar pontos positivos e não conseguia. Entre um trago e outro eu ia me analisando. Era como me ver em um espelho gigante. Meu Deus, eu era tão pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa com o coração apertado. Aqueles mesmos móveis no lugar, aquela rotina que me consumia devagar. Pra piorar, ela tinha me deixado. Foram dois dias de tortura e eu estava tentando lidar com isso da melhor forma. Nunca ninguém me deixou. Então ela chegou na minha vida, fez o que quis comigo e foi embora me dizendo que as coisas não eram mais as mesmas. Me diz, o amor acaba? Esse é um pensamento que eu costumo mergulhar dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro de um dia que nós estávamos andando na rua e ela me falou “As pessoas não entendem nada sobre relacionamentos entre garotas”. É verdade. Você tem que estar dentro pra sentir. É um outro lado. É bom, mas pode ser ruim. Eu devo ter sido ruim pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De noite fui escovar os dentes e ao me olhar fixamente no espelho por cinco segundos, meus olhos ficaram cheios de lágrimas. Mas que diabo. Eu estava sofrendo de verdade. O meu coração nobre e gentil agora estava amargurado. Eu me sentia vazia e era um vazio doloroso. Era indizível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de dormir, acendi outro cigarro. Eu estava cansando de pensar nela. Lembrava daqueles olhos e sentia arrepio. Quando é que a gente para de ser bom pra alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava desarmada. Quando ela me conheceu eu era apenas um pedaço de carne no mundo. Ela me deu vida. Me deu e tirou, porque agora eu estava morrendo sem saber. E o que mais doía era pensar no que fazer com todos os planos. Como ela pôde? Uma semana antes, nós falávamos sobre nossos filhos e não parecia estúpido. Era um sonho porque ela era a minha garota. E eu a amei. A amei todos os dias, sem vacilar. Nunca me passou pela cabeça viver sem ela. Era absurdo. E agora eu estava lá, no meio do mundo, virando carne de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não vou mais saber sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Débora Lopes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1709087924326575270?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1709087924326575270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1709087924326575270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/02/eu-estou-desarmada.html' title='Eu estou desarmada.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7959826721823854315</id><published>2008-02-25T15:16:00.001-08:00</published><updated>2008-02-25T15:16:54.419-08:00</updated><title type='text'>Ela e Dylan.</title><content type='html'>Minha garota gostava dele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ela me ligou. Era quase meia-noite e eu já me preparava pra dormir. Minutos antes fiz um chá horroroso de camomila e deixei o bule no fogão mesmo. Não tomei um gole sequer. Por mim, estaria em um boteco imundo qualquer bebendo uma pinga forte que me rasgasse logo a garganta. Há quem ache isso repugnante vindo de uma mulher, mas não ela. Ela nunca pensaria isso. Ela sempre sabia o que eu pensava e queria. E foi exatamente o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vou passar aí e você vai sair pra beber comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela voz rouca, ácida e inconfundível estava pronunciando exatamente o que eu queria ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é quem sabe, falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tento parecer indiferente. Idiotamente indiferente, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela chegou já era mais de uma hora da manhã. Eu fiquei esperando na calçada. Não parava de bocejar. Meu rosto estava vermelho por causa do vento gelado batendo nele. Quando lembrei que às 6 da manhã deveria estar em pé pra trabalhar, senti uma onda gelada de pavor subir meu corpo. Mas ignorei tudo e entrei no carro. Ela estava linda. Me dava vontade de gritar pro mundo que eu tinha alguém como ela do meu lado. Eu subia pelas paredes do meu cérebro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada, respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ficava imaginando como ela conseguia me tirar de casa uma hora daquela, com um frio daquele e ser tão selvagem a ponto de dar o olhar mais foda do mundo. Eu queria beijar aquela boca desesperadamente. Eu queria fazer sexo com ela. Eu queria tudo com ela. Eu queria o mundo com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que você não dirige?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim ela interrompia os meus pensamentos mais insanos sobre nós duas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Porque não tenho carta, falei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Tire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Não. Não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me assustava pensar que, talvez, ela me achasse a pessoa mais solitária e fracassada do mundo. Doía um pouco. Mas só um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto de ouvir Bob Dylan quando estou dirigindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dylan é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos ao bar e me pareceu um lugar bonito. As luzes da entrada me ofuscaram os olhos. Aquilo parecia um motel. Entramos e ela disse "Senta". Sentei, muda. Mais muda do que nunca, eu diria. Ela ordenou duas cervejas ao garçom e sorriu quando ele disse "Em um instante." Me pareceu um tanto brega. Ela me olhou. Sorriu. Sorri de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu gosto desse lugar porque sempre fico bêbada rapidamente. Só tomo coisa forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você pediu cerveja, arrematei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque estou com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que tem?, indaguei. Na minha cabeça, talvez ela não quisesse dirigir alterada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero ficar bêbada porque quero ter você e estar sóbria pra lembrar depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixei os olhos. Sorri. Era incrível a minha capacidade de ser estúpida. Ela me queria. Estava claro. Ela também queria sexo. Ela demonstrava. Eu não. Eu não era capaz de demonstrar reciprocidade. Minha boca só sabia ficar calada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas cervejas, deixamos o bar. Eu, nem ligeiramente bêbada estava. No caminho de volta pra casa não falamos uma palavra. O rádio estava desligado. Nem Dylan, nem nossas vozes. Mantivêmos silêncio. Eu ficava olhando as luzes amarelas nas ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está entregue, ela falou enquanto parava o carro em frente a minha casa. Eu podia ver decepção até nos olhos dela. Mas era como se algo dentro de mim me impedisse de dizer algo que confortasse aquela situação. Disse tchau, saí do carro. Entrei em casa com aquela cara apalermada. Eu me sentia arrependida. Mas ela já tinha ido embora. Embora. E mais uma vez eu perdi para a estupidez. Subi as escadas com o perfume dela no meu nariz. Entrei em casa e lá estava a rotina sentada no meu sofá. Eu sentia cólera no meu sangue e não podia fazer nada. Não conseguia. Apoiei as costas na parede e fui caindo lentamente, até atingir o chão. Acendi um cigarro amassado que estava no bolso e fechei os olhos. Sentia que nunca mais veria aquela menina. A menina que eu tanto queria e desejava. Chorei por alguns minutos. E me parecia muito mais imbecil chorar por aquilo. Lentamente, com os olhos fechados, peguei no sono. Me sentia em outra dimensão, flutuando entre planetas distantes. E tudo ficou branco e branco e mais branco. E então o telefone tocou. Era ela. Ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Débora Lopes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7959826721823854315?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7959826721823854315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7959826721823854315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/02/ela-e-dylan.html' title='Ela e Dylan.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-2208820943454900586</id><published>2008-01-22T06:39:00.000-08:00</published><updated>2008-01-22T07:04:45.524-08:00</updated><title type='text'>Videotape.</title><content type='html'>- Esta talvez não seja a melhor forma de despedida, eu sei! Mas, a verdade é que eu não tive coragem de te procurar depois de tudo que passamos juntos. Não é engraçado? As pessoas com as quais temos uma longa história deveriam ser as mais próximas. E são! Mas, ao mesmo tempo, às vezes, são as que temos maior dificuldade de falar certas coisas. Eu não quero que você pense que isto que eu fiz tem a ver diretamente com você. Na verdade eu sempre acreditei que, depois de nós vamos embora, as pessoas deveriam ficar somente com as melhores lembranças. Isto é um pouco o que eu tento fazer aqui. Gostaria que você ficasse com tudo o que houve de bom de mim! Em mim! Gostaria que você soubesse que sempre que eu me lembrava de você, era o sorriso aberto e franco que havia ficado guardado na minha memória. Era a pele suada sobre a minha pele suada nos momentos de intimidade. Era a maneira como você acordava pela manhã, com o nariz por trás de minha orelha. Era seu cheiro, tão marcante e ao mesmo tempo suave. Vê? No meu vídeo de lembranças há tantas imagens suas... Eu fui feito tanto por você... Eu... Desculpe pelas lágrimas... mas não pense que são de dor ou de arrependimento... são apenas lágrimas... não dê tanta atenção à elas. Elas estão aqui porque, de alguma maneira, meu corpo ainda reage... porque as memórias são tão fortes e prazerosas... ou talvez não... talvez você deva dar atenção às lagrimas... mas não como a maioria reagiria à elas. Eu sei que você não seria tão óbvio. Eu sei que você sabe que as lágrimas nem sempre são memória ruim. Elas são apenas testemunha de que, tudo o que eu falo, não é apenas um discurso vazio... pode até ser confuso e desfocado, mas tem a ver com a gente... e isso é o que importa. Este vídeo não é um tratado para a humanidade. Este vídeo é como uma carta, pessoal e íntima. É uma conversa entre nós, como tantas que tivemos. Eu sei que, por exemplo, neste momento você deve estar sentado na poltrona vermelha que nós tanto ríamos e gostávamos. Que as luzes não devem estar todas acesas. Que você deve estar sentado com os cotovelos apoiados próximo aos joelhos. Que antes de pressionar o play você hesitou umas duas ou três vezes. Que talvez tenham passado semanas, talvez meses desde que você recebeu o envelope. Eu sei... ninguém disse que as coisas seriam fáceis. Mas, tudo isso não importa mais. A vida segue. A sua vida. As pessoas continuarão a acordar pela manhã. As pessoas continuarão a se esbarrar umas nas outras. As pessoas continuarão a olhar para trás para pedir desculpas e encontrarão os olhos verdes, que elas continuarão jurando serem os mais verdes do mundo. As pessoas continuarão. O mundo continuará. Você continua. As imagens continuam. Mesmo eu, continuo a existir. Eu só habito um outro lugar nesta linha contínua de tempo. Eu sou, agora, um passado mais-que-perfeito... como gostávamos de dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando recebi o envelope, eu hesitei. Pensei em colocá-lo em uma gaveta e fazer com que fosse mais uma daquelas coisas que eu gosto tanto de adiar... mas, não é uma ironia? Se eu tivesse feito isso, você estaria completamente certo sobre tudo. Mas não... desta vez não! Desta vez eu "nos" surpreendi. Quando eu recebi o envelope, após uma pequena hesitação, eu corri para a sala... o sofá vermelho... a hesitação para apertar o play... os cotovelos... em tudo isso você estava certo... mas, talvez por não ter esperado o tanto que você imaginou, eu não estava preparado para ouvir e ver tudo isso! Eu sei que a vida continua... eu nunca fui um bobo que imaginava estar completamente unido á uma única pessoa. Mas, as imagens que você me trouxe assim, tão de repente, ainda eram tão fortes. Ainda eram tão dolorosas... Como é possível? Tudo o que eu mais gostava em nós, neste momento, era tudo o que mais me machucava! Mesmo o perfume que eu usei durante anos, parecia agredir a minha pele. O mundo me repelia. Ou será que era eu que repelia o mundo? Será que era eu que estava me recusando a conjugar o verbo? Ou será que o verbo não se encaixava em nós? Eu sei, eu sei... tudo ainda é tão recente. Eu sei que não há outra solução a não ser esperar... as feridas se curam, as lágrimas secam... tudo vira apenas mais um capítulo de livro. Um conto. Um fragmento. Um clip de uma música triste e melancólica, como aquelas que gostávamos de ouvir. Um piano como base e a voz do Thom Yorke falando de céu, inferno e de dias perfeitos passado juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Max Reinert&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-2208820943454900586?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2208820943454900586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2208820943454900586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/videotape.html' title='Videotape.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7095564713538546000</id><published>2008-01-21T11:33:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:34:08.360-08:00</updated><title type='text'>O dia mais frio do ano.</title><content type='html'>(ou “escrevi uma estória com final feliz”, se preferir)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo poucas coisas sobre acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, no dia em que as pessoas normais receberam essa lição eu devo ter acordado muito tarde por ter bebido demais na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só hoje, vou tentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o choro no fim do filme que faz você ser sensível, não é ligar na hora que seu amigo está mal que te faz um grande amigo, não é o beijo na chuva que torna o amor mais terno e intenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o bom dia, boa noite, boa madrugada, boa vida. É o “até logo” ao invés de um chato “adeus”, é o sorriso babaca e é o fato de olhar pra trás na hora de ir embora, mesmo sabendo o quanto isso vai doer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como você não vai deixar de gostar de alguém por ter sido trocada pelo futebol uma vez ou outra, é, não vai, e não vai ficar arrasada por perder o ônibus apenas porque enrolou na hora de dar o tchau. Sei que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele não tinha nada além dos sete reais no maldito bolso, ela bebia a cerveja com fervor. Ela ria alto e perdia a razão com jeito, cambaleava por entre as músicas gastas e pessoas desinteressantes, já quase enxergava em dobro, ela queria ir pra casa. Ligou pro cara, ele não ia sair de casa àquelas horas, tava tarde, ele entornou duas garrafas de vinho e blablá. Ele não ia sair do quentinho, da coberta, do semi-sono de sábado morgado, do lugar-comum, do porto seguro. Não por ela, não naquela noite. Era o dia, aliás, a noite mais fria do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princesa sem reinado desligou o celular, uma mensagem informou “"eu saldo é $2,30". Ok, bela porcaria. Sentou na escadaria, riu nervosa, roeu uma unha. Lixo. Resolveu beber mais uma cerveja, afinal… não era nem quatro da madrugada, ora bolas, por que a falta de um cara estragaria minha noite? Tenho reais, o garçom está sorrindo e trazendo amarelinhas geladas, estou com quatro ou cinco amigas a tiracolo, não amo ele e, dizem por aí, ele é só um cara. – ela pensou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música muito alta, caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raivinha enrustida, ele não é só um cara. – pensou, entre todos aqueles malditos pensamentos bêbados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a dançar como se ninguém estivesse vendo, com olhos fechados e querendo morrer por segundos, com mais cerveja do que sangue circulando pelo corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha vida cabe num copo plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amiga do lado riu da frase imbecil e esboçou um "cala tua boca, guria".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois minutos, em apenas dois minutos ela viraria pro lado e algum bêbado iria dizer "por que diabos você não me olha?" , testaria mais três cantadas baratas e beijaria ela. Aleatoriamente, sim, podendo ser a loira que estava na ponta do palco ou a coroa que limpava o batom que grudou nos dentes. Sabemos, bêbados não têm critérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles beijariam ofegante e ela teria o insight "nunca mais vamos nos ver mesmo", depois ele a levaria pra casa, pegaria o número dela, diria "vou te ligar amanhã" e ela arquivaria o assunto. No dia seguinte ele seria uma exceção, ligaria e eles ficariam horas falando amenidades. Rindo. Gastando telefone, pois no domingo “é mais barato” e estamos em tempos de vacas magras. E assim seria, por mais alguns dias, talvez até muitos dias. E depois iriam a algum bar semi-vazio, depois na sinuca, no motel de beira de estrada, na missa, no restaurante, caminhar no parque, assistir tevê um na casa do outro, no cinema, no supermercado, no museu, na praia aos fins de semana, em toda e qualquer cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos depois, ela e o cara aleatório casariam. Teriam suas carreiras, seus carros, suas contas no banco, seu apartamento, seus três filhos, seu carinho mútuo interminável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quase sempre antes de dormir, sob os lençóis geladinhos cobrindo o frio proposital do ar condicionado no verão, lembrariam de como se conheceram e falariam sobre como as coisas realmente acontecem em sincronia, sobre como tudo têm um significado e sobre como a vida pode, sim, ser maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, pensando bem… seria foda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que ela empurrou o bêbado-da-vida-dela antes que ele pudesse dizer alguma gracinha, disse "cai fora" e correu pro banheiro pra fazer um xixi antes de pegar um táxi pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e eu não consigo escrever estórias com final feliz, confesso.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Drama Queen.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7095564713538546000?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7095564713538546000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7095564713538546000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/o-dia-mais-frio-do-ano.html' title='O dia mais frio do ano.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1083483963828132895</id><published>2008-01-21T11:25:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:26:10.248-08:00</updated><title type='text'>AINDA QUE.</title><content type='html'>Locução conjuntiva subordinativa de concessão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que ela esqueça, que ela finja que nada aconteceu, ainda que ela consiga olhar dentro dos olhos dele e não lembrar da quantidade de água que saiu dos dela por culpa dele, ainda que formem dois arco-íris de novo, ainda que ela não ouça mais certas músicas e lembre dele, ainda que a raiva que ela sente da idiotice que ele fez passe, ainda que ela não se sinta mais invadida cada vez que ele fale com qualquer pessoa que faça parte do mundo dela, ainda que ela não queira mais se esconder, que não se importe em contar pra ele como está a sua vida, que ela não tenha medo dele estragá-la de novo, ainda que ela volte a se sentir dele, que ela não sinta mais vontade de nunca mais olhar pra ele, ainda que ela não ache mais que ela pode ser feliz com outras pessoas ou sozinha, mas só com ele, ainda que ele volte a inspirar boas idéias e não só textos inúteis e tristes e amargos feito esse, ainda que ela consiga ser melhor do que ela é, ainda que ela olhe pra ele e pense que ela não deveria sentir o que ela sente, que ela deveria ser maior do que tudo isso, que ela deveria deixar pra lá, ainda que ouvir o nome dele volte a colocar um sorriso no seu rosto, ainda que o mundo acabe, existirá sempre esse abismo enorme entre os dois, que é a diferença infinita da definição de amor dela para a dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1083483963828132895?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1083483963828132895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1083483963828132895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/ainda-que.html' title='AINDA QUE.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8697024421346571408</id><published>2008-01-21T11:18:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:19:01.394-08:00</updated><title type='text'>Manual Prático.</title><content type='html'>Os extraordinários nerds. Eles acham legal ir à faculdade. Eles realmente se sentem mal por matar uma aulinha de nada e desperdiçam sábados e mais sábados ensolarados fazendo trabalhos acadêmicos. Você se sente muito mal perto deles, porque colou durante toda a história de sua vida estudantil, matou aulas como se não existisse o amanhã e demorou uns doze anos pra se formar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí aconteceu de um nerd ser seu namorado. Tudo acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando estréia o Star Wars, você pensa, sim, ok, vou com ele ver Star Wars. Mas esquece que ele vai querer ver na estréia. Sessão da meia-noite. Você trabalhou o dia inteiro. E vai acordar cedo no outro dia. Daí pega aquela fila toda. Depois ainda vai ficar chorando porque, né? Coitadinho do Darth Vader. E quando estréia o Hitchhickers? E se de repente você acha o Morpheus do Matrix um merdalhão? Melhor guardar pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente o nerd é focadinho e não perde tempo com nada que não seja essencial. Nada de impulsividades, tudo é devidamente pré-raciocinado. Ele é discreto, dirige concentrado, não buzina nem quando outro carro atravessa a pista rodando bem ali na frente. Ele não sabe incomodar. As festas não são festas se não há um Playstation II disponível pros amigos confraternizarem. Obviamente, um bom nerd não sabe dançar. Nem beber. Você bebe em média 16 vezes mais do que o seu namorado nerd. Você conta piadas melhores. E ouve músicas melhores (/fim do momento exaltativo da fantástica namorada do nerd).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele possui coordenação motora e não derruba e tropeça nas coisas como você. Ele vai catando as coisas que você derruba e depois fica batendinho a mão na sua cabeça, tsc tsc. Ele funciona. Ele usa o outro lado do cérebro. Ele fica calculando as probabilidades remotas de te agradar (e olha que você só quer um abraço).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é calculadinho. Tem dia certo para te encontrar. Tem rotininhas. Tem as prioridades. E tem as frases doloridas do tipo, “esse fim de semana vou viajar, tem copa de programação” ou “vou fazer minha pós-graduação lá em _ – insira aqui uma cidade muito muito distante demais além da puta que o pariu, socorro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tantas vezes você, oh pobre namorada do nerde, tantas vezes você junta todo seu altruísmo e pensa que talvez fosse melhor mesmo se ele arrumasse uma namorada dessas mansas, silenciosas, que não bagunçam o quarto, nem se exaltam ou reinvidicam e que saibam consertar sozinhas o próprio computador. Talvez uma dessas japonesinhas que riem baixo, vão quietinhas no carro, não fazem perguntas, não demonstram ciúmes, nem apareçam com um desses rompantes exagerados de paixões e ódios que tiram a concentração dele, oh pobre nerd concentrado, favor não perturbar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no instante seguinte você morreu de desespero só em pensar nisso e lembra o quanto é bom ter alguém que faça um programinha no DOS que desenha um coração quando se aperta o enter 20 vezes. E do quanto você se encheu dos limítrofes metidos a espertinhos que já passaram na sua vida. No quanto é bom ter alguém que apareça com assuntos do tipo ‘a probabilidade de encontrar uma estrela no céu está relacionada com a razão de estrelas em uma área qualquer’. Em como é fantástico receber um e-mail digitado corretamente, ou como vale a pena viver enquanto você o ouve tocar a música da banda da sua vida naquele baixo entortado que ele arrasta pra lá e pra cá. Em como é fofinho se comunicar por emoticons. Ou o quanto é divertido poder amar a pessoa mais diferente de você em todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece. Ame um Nerd hoje. Por mais que ele ame mais o maldito iPod do que qualquer outra coisa na vida. Acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A piadinha do iPod não poderia ficar de fora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Priscila.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8697024421346571408?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8697024421346571408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8697024421346571408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/manual-prtico.html' title='Manual Prático.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8423739415714448428</id><published>2008-01-21T11:16:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:17:13.253-08:00</updated><title type='text'>Noites como essa.</title><content type='html'>Luzes apagadas nem sempre apagam os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele mandou uma carta escrita em inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caneta vermelha. Papel amarelado. Aquela foto do verão de 1984. Plástico de bombom. O folder quase ilegível do local, com o nome da banda que tocou naquela noite. Estrelinhas recortadas, porque ela disse que gostava. O guardanapo com o número dela. E dentro do envelope, junto com tudo isso, estava o cheiro da noite em que se conheceram. No bar decadente, fedendo a cigarro. Sem luzes coloridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela amassou aquela montanha imensa de bobagens e tentou dar um ponto final naquela história toda. Ora, tanto tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ela tinha esse marido rico e planos de ter um filho em no máximo cinco anos. Pensar pra frente, não guardar fantasmas de quando se aventurava pelas noites em busca de um coração solitário pra trocar palavras, sorrisos bobos, fluídos e copos de uísque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três anos depois, viúva e sem filhos, amargando num pub da moda com os olhos grudando de tanto rímel, o encontrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele perguntou da carta de anos atrás, ela sorriu. Precisava mentir, seu coração apertou. Disse que por muito tempo guardou numa caixinha especial, mas que seu apartamento pegou fogo com tudo dentro e as chamas deram fim aos papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não acreditou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O olho perdeu o brilho de repente, ele soluçou discretamente, olhou pro lado e falou que a conversa estava boa, sim, mas que tinha que voltar pra casa. Trabalho, esposa, igreja, filhos. Sabe como são essas coisas. Virou de costas e se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ela não sabia como eram aquelas coisas. E viu o cara da sua vida chutar o passado pra longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois daquela noite, chorou por duas semanas seguidas. Na terceira estava certa de que, ah, nem doeu tanto assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele continuou sua vidinha medíocre e esteticamente perfeita, com seu trabalho de oito horas diárias + horas extras, seu almoço no restaurante na esquina da firma, sua esposa loira e sorridente que cuidava dos filhos e o aguardava com janta requentada que ele só beliscava depois do happy hour com os colegas de toda sexta. Com seus filhos ranhentos que ele mal lembrava o nome, com seus discos de vinil que não tocavam mais, com seu olhar perdido característico e sem motivo aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na verdade, ela ficou com um nó na garganta e, o tempo todo a partir dali, queria voltar por um segundo ao ano de oitenta e quatro. Só pra pegar na mão daquele cara estranho e dizer que ele sempre vai ser muito mais do que alguém pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na quarta semana depois do ocorrido, pegou a primeira ponte aérea pra Londres, para esconder sentimentos pra sempre atrás de um rosto blasé cheio de sombra e pancake.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim é a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Drama Queen.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8423739415714448428?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8423739415714448428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8423739415714448428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/noites-como-essa.html' title='Noites como essa.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-3621175407186998482</id><published>2008-01-21T11:09:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:21:34.492-08:00</updated><title type='text'>De repente lhe ocorre que tudo acabou.</title><content type='html'>Não quero saber de desviar das pessoas. Paro na esquina, o sinaleiro verde refletindo na poça d’água.&lt;br /&gt;"- Eu quero te ver". Dito numa frase curta e enfática ao telefone.&lt;br /&gt;O sinaleiro pára, os carros não.&lt;br /&gt;O jato de água da poça molha a minha calça, enquanto acendo meu Luke Strike, e começa a chover nesse dia preguiçoso, que deixa a cidade com cara de lavada. Enquanto isso eu sempre encontro o caminho do apartamento da sacanagem. Sempre. “Foxy Lady” rolando, chocolate sobre a mesa, vinho de pêssego na geladeira, barra da calça ensopada, e a conversa alheia apaixonada na novela, tentando acender outro cigarro, ando perdido, não quero saber de passar outro sábado fazendo festa na sua casa. Tive tanto tempo para pensar nesses últimos dias. O que nos falta é o brilho nos olhos, e a paixão que queima mesmo à distância, minha amiga. O legal desse vinho que estamos tomando está no rótulo: válido por tempo indeterminado. Seria bonito se assim fosse com a gente, felicidade válida pra sempre.&lt;br /&gt;Agora a gente ouve Rolling Stones e chora, você sempre está comigo para aplacar a dor de existir, mas isso não aplaca a solidão que nos abate, mesmo quando estamos juntos. Quando venho ao seu apartamento, sempre penso que vai ser bonito o tempo todo e, quando nós conversarmos os problemas vão evaporar. Mas não é assim que tem sido. Eu trago a garrafa de Campo Largo e você assiste a novela, fazendo as unhas, reclamando dos seus vizinhos, enquanto eu me embebedo e fico achando que esta é a pior hora do dia. Ultimamente eu acho que só venho aqui porque gosto dos seus cd’s. Eu fico ouvindo todos esses blues e rocks antigos, pensando em sexo, e em todas aquelas trepadas fantásticas que costumávamos dar. Nossos loucos meses de trepadas homéricas, ninguém no mundo fazia tão bem quanto a gente. Agora nem isso. Somos duas pessoas azedas, sem mais nada a acrescentar. E agora eu não tenho mais medo, quer dizer, eu nunca tive medo de fazer as coisas erradas, mas agora, eu não tenho mais medo de fazer as coisas certas. Eu nunca pensei que fosse gostar de alguém mais do que gosto de mim mesmo, e se isso aconteceu é porque perdi meu amor próprio, isso está totalmente errado. São seis e meia da tarde e eu já estou bêbado. Isso acontece quase todos os dias da semana. E esse seu apartamento? Está fedendo à cinzeiro e mofo, você já pensou em fazer uma faxina por aqui? Você já foi tudo pra mim, e agora eu bebo todos os dias só pra agüentar olhar na tua cara.&lt;br /&gt;Antigamente nós fazíamos tanto sentido: aquela cerveja super gelada, a nossa seleção musical favorita, todas as terças-feiras depois das tuas aulas, os shows que esperávamos ansiosos, os imprevistos, os projetos irrealizáveis, os planos intermináveis, as nossas expressões tão particulares, nossas loucurinhas, nossas ressacas horrorosas, a nossa órbita… Nossa vida. Tornou-se uma vida de mentira. De erros. A verdade é que eu saí sozinho no final de semana, sem você saber, eu não queria te ver, nem te levar comigo, a noite foi tão boa e você não estava lá. Eu achava que esse tipo de coisa levava um tempo, mas acontece tão rápido tão naturalmente, aliás, essas coisas acontecem com tanta facilidade que quando eu percebi, já estava na cama tentando dormir, com um delirante sorriso na cara, de alma lavada, e sem sentir a tua falta. Tudo o que vivemos era bom, sério, era bom. Era estupidamente bom. Só que o brilho se foi. O dia de hoje vem se repetindo há tanto tempo, todos os dias tão idênticos, eu sofro tanto, fiquei confuso, eu vejo essas coisas acontecendo, você chorando me cobrando sempre, toda complicada, insegura, carente. Eu não sei como reagir, com você eu não consigo respirar. Nem me animar. E eu te amava tanto menina, juro que te amava. Toda vez que eu ando pela cidade vindo pra tua casa, com a garrafa de vinho e a tristeza pesando nos ombros, eu vejo que nosso sentimento foi fugaz, como se nunca tivesse feito sentido. Não faz mais sentido, pelo menos pra mim, não faz sentido nenhum agora.&lt;br /&gt;Se eu consigo viver bem sem você, você também consegue viver bem sem mim. Eu era fascinado por você, mas não posso ficar preso à isso, a vida tem que seguir em frente. Acho que separados viveremos melhor, e nos abriremos para outras coisas, novos rumos, poderemos cuidar de nós mesmos. Eu me conheci vivendo com isso e não gostei do que eu vi, agora preciso saber quem eu sou de verdade, vivendo longe disso. Eu não posso mais me anular por nós. Sabe? Vou deixar a garrafa aqui, e se eu fosse você menina, tomava logo um gole desse vinho, pois ele é delicioso. Desce suave amaciando a garganta e borbulhando a mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dani Carneiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-3621175407186998482?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/3621175407186998482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/3621175407186998482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/de-repente-lhe-ocorre-que-tudo-acabou.html' title='De repente lhe ocorre que tudo acabou.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8899060885866800714</id><published>2008-01-21T11:06:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:22:40.432-08:00</updated><title type='text'>Porque é difícil fingir e esquecer é impossível.</title><content type='html'>Começou pela Internet, como qualquer amizade moderna. Eles se viram apenas duas ou três vezes. Gostavam das mesmas coisas e compartilhavam das mesmas opiniões – pelo menos a maior parte do tempo. Ele era um tanto homofóbico, ela odiava crianças. Mas nem as brigas esfriavam a relação. Ele até gostava, porque ela se irritava de um jeito engraçado e brigar acabava sendo divertido.&lt;br /&gt;A amizade foi crescendo e eles não conseguiam mais ficar um dia sequer sem conversar. Ele ficava ansioso pra chegar logo no trabalho e ligar o MSN. Ela ficava triste quando chegava o fim-de-semana, porque sabia que ele não tinha computador em casa.&lt;br /&gt;Até que um dia caiu a ficha. Não dava mais pra esconder, não tinha como negar: eles estavam apaixonados. Loucamente, perdidamente, absurdamente apaixonados. Conversar pela Internet já não era o suficiente. Eles queriam mais. Então começaram a trocar telefonemas. Longas conversas madrugada adentro. A química fluía ainda melhor por telefone. Ela achava o sotaque dele engraçado, ele ria do jeito como ela ria. “Rurururu”. Eles faziam muitos planos, como todo casal apaixonado, e desligar o telefone era um sofrimento. Mas logo o telefone também já não bastava. Eles queriam mais. Faltava o olho no olho, o cara-a-cara, o corpo-a-corpo.&lt;br /&gt;Ele era casado, ela morava longe. De repente o futuro parecia não sorrir mais para os dois. Os pés voltaram a tocar o chão e eles começaram a pensar em uma saída. Ou ele embarcava num relacionamento extraconjugal ou ela encarava a responsabilidade de destruir um casamento. Mas também havia outra opção: esquecer tudo e fingir que nunca aconteceu. As três saídas eram igualmente assustadoras, e meses se passaram sem que nenhuma atitude fosse tomada. As conversas telefônicas continuavam, a saudade ainda apertava, o sentimento ainda estava lá. Era mais do que óbvio que eles precisavam ficar juntos. Qualquer um diria isso. Era só “seguir o coração”, como mostram os filmes.&lt;br /&gt;Mas eles não seguiram. Não deu. O medo, sabe? Medo de arriscar. Medo de subir tão alto que um escorregão significaria a morte. E assim eles optaram pela saída mais fácil. Esqueceram tudo e fingiram que nunca aconteceu. Acabou pela Internet, como qualquer amor moderno.&lt;br /&gt;Pra você. Porque é difícil fingir e esquecer é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sister Sodomy.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8899060885866800714?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8899060885866800714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8899060885866800714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/porque-difcil-fingir-e-esquecer.html' title='Porque é difícil fingir e esquecer é impossível.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7242712619573498417</id><published>2008-01-21T11:01:00.000-08:00</published><updated>2008-01-21T11:04:08.343-08:00</updated><title type='text'>O começo da palavra.</title><content type='html'>(acabei ganhando um domingo como todos os outros)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comigo, com você, com a sua melhor amiga. Poderia ser com qualquer uma. E você já viu essa cena antes, acredite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com a cara toda manchada de lápis preto, pra variar esqueci de tirar a maquiagem ontem. Olhei pro visor do celular, quase descarregado, nenhuma mensagem nova. Nenhuma ligação. Levantei e todo mundo tinha saído de casa, típico de domingo. Pessoas sempre me esquecem no domingo. Joguei uma água no rosto, é, só água mesmo, porque acabou o creminho de tirar make. Nunca sei o nome daquele creme. Escovei o dente e fui pra cozinha. Na geladeira só tinha alface, ovo, leite e margarina. Pobreza. Bebi um leite pra tirar o gosto de guarda-chuva da boca, aquele gosto de quem bebeu a madrugada inteira. Bebi mais uns dois copos de água e procurei algo comestível no armário. Bolacha de água e sal salva. Peguei o pacote e o copo de leite e sentei na frente do computador, como sempre. Liguei o MSN e verifiquei meus e-mails. Ninguém novo me adicionou no Orkut. Ninguém bacana pra conversar no MSN. Amarrei o cabelo. Olhei pela janela e tava começando a chover, como se não bastasse domingo por si só ser uma bosta. Cortei as unhas da mão, estava virando uma espécie de neo-Zé-do-Caixão sulista. Abri o kazaa e baixei a trilha sonora riponga de “50 first dates”, só pra poder ouvir a versão de friday im in love que cagou a música pra sempre. Aí deprimi. Desliguei o pc do escritório e fui pro quarto. Amanhã tem prova, não estudei, não vou estudar. Passei meu uniforme do serviço, arrumei uns livros. Fiz minhas contas mensais, bela merda. Devendo até as calcinhas. Quinze minutos depois o telefone toca, é ele. Ele, ele. Ele, mas, por favor, com letra minúscula, porque ainda não está a ponto de virar Ele. Convidou pra tomar um vinho, tava com voz amanhecida. Não era quem eu queria que ligasse, e eu não era quem ele queria ligar. Que tipo de pessoa liga pra alguém ás três da tarde pra tomar um vinho? Ninguém, se você não mora no Rio Grande do Sul. Eu moro, estamos em Julho e tudo é questão de ambiente. Chuvinha, friozão, casaco e vinho. Sem mais opções. Ficou de passar aqui ás quatro. Fui tomar um banho e esfregar bem o cabelo, fedidíssimo da noite anterior. Se ele souber que eu saí ontem… bem, não vai falar nada. Mas mesmo assim, melhor esfregar bem. Sei que ele não é um Mr. Big, mas convenhamos… domingo é domingo, não sou a Carrie e não moro em NYC. Coloquei a roupa mais tapa-frio que eu tenho. E botas. Ai, como fazem meus pés chorarem essas desgraçadas. O preço da beleza. Paciência. Coloquei meu perfume do day by day, não acho mesmo que ele mereça um perfume melhor pra cheirar. Sentei na frente da TV porque tava dando Plantão, maior tragédia no Rio. Pisquei e desliguei o aparelho. Não me comovo fácil, sabe. Juntei umas coisas na bolsa e logo faltavam cinco pras quatro. Desci pro térreo e ouvi o barulho do celular. Deve ser ele, avisando que já ta lá embaixo. Olhei, envelope. Envelopinho que significa mensagem. Quem será? Não. Não era ele. Não o com letra minúscula. Era o Ele de ontem, o da madrugada, de hoje. O que deveria ser de amanhã e depois, depois e por muito tempo. Aquele que falou que não gostava de meninas meigas, que cantou uma música no meu ouvido. Aquele que eu estava esperando que me adicionasse no Orkut, que lembrasse de mim por mais uns minutos. Aquele. Coração flamejante. “Esqueci minha identidade contigo por acaso? Merda, não to achando. Se sim, entrega pro Marco amanhã na aula”. Então. Frieza era seu nome do meio. Não sabia de porra de identidade nenhuma, subi correndo e fui olhar na bolsa, tava lá a maldita. Não sei como. Deixei encima da mesa e desci correndo de novo. O ele minúsculo estava esperando com cara de quem não comeu e não gostou dentro do carro. Fumando, o cretino. Entrei no carro e ele veio me dar um beijo com bafo. Sabemos que tudo é superável, mas beijo com bafo não dá. Avisa que NÃO DÁ. Engoli a seco. Perguntou do meu dia, do meu atraso, do que eu fiz ontem. “Nada”, respondi, enquanto fazia cara de poucos amigos. Foi quando eu ouvi, um minuto depois de ele ligar a droga do carro, a frase mais imbecil da minha vida “eu voltei com a minha ex”. O mundo parou, eu respirei e olhei pra ele com aquela cara que você já deve ter feito uma vez na vida, aquela cara de o-que-você-quer-que-eu-diga-agora?. Ele fez uma expressão de “pois é”. Só a expressão. Não mereço nem as palavras do cara, é isso? Então está. “Dá pra me levar de volta pra casa?”. Ele, digo, ele (com letra minúscula!) não falou mais nada, mudou de caminho e topou na hora. Só queria mesmo o meu aval pra dar fim áquela farsa. Fracote. Dei um tchau ralado e entrei no apartamento. Eu ia chorar, juro que ia, mas não rolou. O cara era um nada. Eu sabia, ele sabia. Estávamos quites. Sentei no sofá e olhei três ou quatro vezes pra identidade d’Ele. Ai, ai. Tava lindo. Observe que a pessoa tava linda em 3×4. Quase um feito impossível. Respondi a mensagem com um “ta comigo sim, pode pegar aqui em casa, o apto é 204”. Simples e direta. Ele sabia o prédio, veio me trazer ontem. Depois disso, dormi ali mesmo. E dormi muito. Acordei com o celular gritando e o interfone bipando horrores. Susto. Atendi o telefone e era (pasmem!) Ele. “Tu ta em casa? To aqui embaixo, abre aí!”. Voz de alguém muito puto com a situação. Ok. Apertei no interfone e corri pra escovar o dente, jogar uma água no rosto e comer uma bala. Abri a porta e era Ele mesmo. Mais lindo ainda, de malha azul, olho azul, tudo azul. Ai. “Oi, Beto”. Ele olhou estranho, fez quase que uma careta. Depois entrou e falou, com pressa, “Então, ta contigo mesmo meu documento?”. Eu sorri, idiotificada. Ele tava impaciente, eu vi, mas ignorei. Peguei a carteira dele que tava encima da mesinha. “Ó”. E, acredite ou não, ele VERIFICOU pra ver se era mesmo d’Ele. Imagine, quantos outros homens morenos, de olho azul, cabelo estrategicamente bagunçado e perdedores convictos de carteira de identidade eu iria encontrar por aí? Um só, é claro: Ele. Fez cara de alívio imediato e respondeu, tentando ser gentil “Bah, brigado… achei que tinha perdido e ia ter que mandar fazer outra. Já perdi uma há dois anos atrás. Eu.. eu vou indo, ta bom? Tu ta com uma cara de sono, devia estar no décimo quarto sonho da tarde, né?”. Eu só pensava “eu ainda devo estar sonhando”. Idiota. Eu acordo MUITO idiota. Não consegui dizer nada, nada. Eu devia estar em alfa, sei lá. Ele deu um meio sorriso, desses que a gente dá quando a noitada não foi boa o suficiente. Virou de costas e foi embora. Quatro segundos depois, a porta do apartamento ainda aberta… escorei a bunda na mesinha. Cocei a cabeça, como os personagens de desenho animado fazem. Então caiu a ficha, Ele estava ali e Ele foi embora. Incrível. Fui lavar a cara de novo e já tava pensando em ligar pra alguma amiga. Ainda dava tempo de assistir algum filme meia boca no cinema do shopping. Antes de ligar, conectei na internet. Orkut, sabe. Nenhum scrap novo. Procurei a página d’Ele. Achei. Não adicionei, só queria ler uns scraps, ver umas fotos, checar as comunidades do cara. Meia dúzia de comunidades relativas à faculdade dele, três comunidades de filmes cult, uma do joguinho Super Mario World e o resto não lembro. Só bobagem, resumindo. Ainda assim, Ele continuava foda e lindo na minha cabeça. E, ah… Ele nem me tratou mal. Sò estava com um pouco de pressa, vai ver. Sorri ainda meio boba-dormente. Abri o scrapbook dele. Depois abri um recado de uma tal, fui ver o que Ele tinha escrito pra ela, pensando que não devia ser nada. Devia ser uma colega de aula, só. E lá estava, em letras garrafais: “passei a noite pensando em ti. Não saí de casa, fiquei ouvindo a nossa música feito um bobo. Saudades. Te ligo hoje de noite pra sairmos pra jantar, beijo”. E assim eu caí da 839a nuvem. Fiquei ali, relendo o scrap, meio lenta. Cutuquei o olho só pra não ficar com a impressão de não ter onde enfiar as mãos. Desliguei o computador e fui colocar um pijama. Amarelo, com desenho de fantasminhas pretos. Amarrei o cabelo e deitei na cama. Depois da raivinha e da sensação de vazio inicial, cheguei a conclusão de que Ele era ele, só isso. E que Eles (ao menos no meu caso) são sempre eles, é, assim mesmo, com letra minúscula e quase invisível até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo bem, porque era um domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingos nunca caem bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Drama Queen.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7242712619573498417?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7242712619573498417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7242712619573498417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/o-comeo-da-palavra.html' title='O começo da palavra.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1300723909944288191</id><published>2008-01-08T17:13:00.000-08:00</published><updated>2008-01-20T07:17:05.367-08:00</updated><title type='text'>Já era.</title><content type='html'>Nunca sabemos ao certo quando deixamos de ser importantes.&lt;br /&gt;É triste perceber que quem tanto me importa não olha por mim, apenas me vê. Não altera em nada sua lista de prioridades quando preciso de socorro, atenção. Apenas (depois, sempre depois) desculpa-se. Diz que as coisas estão complicadas. Está constantemente ocupado, atrapalhado. Sempre se sai com ótimos motivos para não ter ido, feito, acompanhado. Conhece meus gostos, minhas neuras, o porquê do riso rasgado. Sabe o número do meu telefone, onde vivo, mas mora num outro universo, do qual não tenho o endereço, nem pertenço: é péssimo notar que sou pouco para quem é muito pra mim.&lt;br /&gt;E não se trata de desdém, nem de rancor. É mais sutil e menos óbvio, por isso tão doído (sei que o carinho existe, mas anda tímido). Pode até me surpreender com telefonemas, e-mails, conversas à toa, mas não está presente nos momentos críticos da minha vida. Torna-se incomunicável, desaparece. Não fica ao meu lado. Não pega o lenço para que eu possa continuar chorando, sem medo de julgamentos. Não traz da cozinha a garrafa da minha bebida preferida para comemorarmos. Não me abraça quando faltam palavras, não me afaga quando elas não bastam. Sei que aquela pessoa, tal qual a recordo, existiu, só não sei em que ponto deixou de ser real para se tornar um holograma da minha mente. Uma suspeita de surto: será que me enganei desse jeito? Talvez não tenha me enganado, apenas o tempo nos tenha tornado diferentes demais e já não andemos na mesma direção.&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;A vida acaba nos trazendo, inevitavelmente, amigos assim (que chamamos "amigos" por desconhecimento de termo mais adequado). Amores assim. Pessoas que estiveram conosco, compartilharam e construíram nossa história, mas que, sabe-se lá quando e por que, descompassaram. Alguns até continuam presentes, mas jamais estiveram tão ausentes. Outros fazem questão de dizer o quanto somos importantes, especiais, e eis um alerta que não ignoro: sempre desconfiei de quem fala "Você pode contar comigo", "Qualquer coisa, me liga", "Nunca vou te esquecer". Isso se mostra calmamente, no dia-a-dia, não se legaliza numa promessa. É preciso tempo, e é só com ele que saberei se essas palavras significam algo ou são mera formalidade. Me mostre que eu posso contar com você, não me diga isso.&lt;br /&gt;Talvez percamos o sentido de existir na vida de algumas pessoas, por mais importantes que tenhamos sido (ou que supomos ter sido). Nossa permanência torna-se oca de significado. Desbota. Gradualmente, sumimos. E não há nada de errado nisso. De triste, sim (todo fim é triste), mas não de errado: não dá para exigir ser amado. Errado é mantermos à nossa volta, atrelados a nós por compulsão ou necessidade de companhia, quem não tem mais nada a nos oferecer. Para quem oferecemos tão pouco. Quantos sinais são necessários até compreendermos que já não nos importamos com alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ailin Aleixo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1300723909944288191?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1300723909944288191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1300723909944288191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2008/01/j-era.html' title='Já era.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1701719405639432907</id><published>2007-12-21T18:13:00.002-08:00</published><updated>2007-12-21T18:21:47.286-08:00</updated><title type='text'>A questão é: O amor acaba?</title><content type='html'>Eu amei por trezentos e sessenta e cinco dias. Fiquei por trezentos e sessenta e cinco dias na vida dele. Durante todo esse tempo, muitas vezes, eu desejei que todos os dias da vida minha fossem assim. Um dia, eu disse - como quem diz que o leite da geladeira acaba - acabou. Simples assim. Acabou. E fui embora.&lt;br /&gt;Eu que sempre olhei torto para os apaixonados, que nunca acreditei na dor do amor e achava tudo isso ser exagero, sofri. Acho que como nunca na vida, até hoje. A dor chega ser física, acredite.&lt;br /&gt;Por trezentos e sessenta e cinco dias eu fui feliz. A vida trouxe novos acontecimentos. A solidão não era tão só, era partilhada. Deixei de acreditar que vivera melhor sozinha e comecei acreditar no amor. Ah, e não existe coisa melhor que sentir-se amada. Não existe!&lt;br /&gt;[auto ajuda on]&lt;br /&gt;E às vezes me pergunto por q diabos eu fui embora?&lt;br /&gt;Simples, eu sou egoísta.&lt;br /&gt;Amar exige companheirismo, confiança e SATISFAÇÃO. Sim, minha amiga, satisfação. Namorados são invasores. No começo, o amor basta. Depois, vem o bônus. Que inclui as satisfações, as preocupações, discussões etc. E eu gosto de viver a minha vida. Ter a liberdade de ir e vir. Dou vazão às minhas vontades, seja lá quais forem. E não, um relacionamento aberto também não seria a solução, sou egoísta demais pra isso.&lt;br /&gt;Eu não presto, talvez. Mas não sou promiscua, eu juro.&lt;br /&gt;A questão é: O amor acaba?&lt;br /&gt;Incrível que quando relacionamentos acabam, um tempo depois, as pessoas dizem que foi melhor assim. Não, querida. Não foi melhor assim. Você se trancou no quarto, chorou rio de lágrimas, desejou sumir, sentiu raiva de si, do mundo. E agora porque o tempo passou vem dizer que foi melhor assim? Você desejou passar a vida ao lado dele e agora porque se recuperou vem dizer que foi-melhor-assim? Ok, é passado. Mas não faça pouco caso. Não contrarie o que seu coração já desejou um dia. O tempo cura, isso é fato. E se não cura, esconde. Esconde tão bem que pra lembrar do falecido você é obrigada a procurar em cantos inativos do seu cérebro. E olhe, existem maravilhas em estar solteira, acredite. [auto ajuda off]&lt;br /&gt;Achei que não conseguiria viver sem aqueles trezentos e sessenta e cinco dias pro resto da minha vida. Mas eu fui embora - porque eu gosto de correr risco e sempre me fodo por isso. A dor e a saudade ainda não se foram, mas eu estou aqui. Tão viva! De uma maneira que eu não achei que estaria. Porque, na verdade, eu não preciso daqueles dias pra ser feliz. Porque nada do que me cause tanta necessidade pode me fazer tão bem assim. Porque a vida é minha, e eu tenho direito de escolher os meus caminhos. E ter vivido trezentos e sessenta e cinco dias diferentes, não me tirou a vontade e esperança de viver dias melhores.&lt;br /&gt;Eu tenho a minha espera o gato mais lindo desse mundo, amigos, cerveja gelada e cigarros. O que mais eu posso querer? Brindemos, solteiros, brindemos. E sejamos, primeiramente, felizes por nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Angela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1701719405639432907?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1701719405639432907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1701719405639432907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/auto-ajuda_21.html' title='A questão é: O amor acaba?'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-4352035026229134946</id><published>2007-12-21T18:11:00.001-08:00</published><updated>2007-12-21T18:11:35.920-08:00</updated><title type='text'>É, o amor acaba.</title><content type='html'>Mas quanto tempo é preciso pra esquecer alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se passaram quase trezentos e sessenta e cinco dias, e eu ainda me lembro. Oi. Eu te amo. Eu também. Namoro sim. Pra sempre. Depois de trezentos e sessenta e cinco dias quebrei a promessa e fui embora. Sem mais, nem menos. Resolvi tirar minha segunda-feira do tédio. Oi, eu não te amo mais. Não mais. Nunca mais. O ódio dele por mim também tem quase trezentos e sessenta e cinco dias. Minha amiga diz que sou fria. Imagine, não sou. E amor acaba sim. Amor desgasta e perde a graça. Aí você me diz: Então não era amor. E eu te respondo com convicção: Era amor sim. Foi amor. Um amor lindo, eu diria. Um dia fomos dois pombinhos apaixonados, que tomávamos sorvete sem vontade, em pleno domingo de frio, pelo simples prazer de se lambuzar, sorrir e estar presente. Foi amor. Foi com ele que usei minha primeira aliança de compromisso, com ele que planejei ter filhos e um futuro lindo. O único homem que soube me completar, me respeitar e fazer eu me sentir especial. Só ele me fazia acordar de bom humor as 9h da manhã em um fim de semana pra ir à uma feira de carros esportivos. Por ele eu atravessava a cidade, no frio, na chuva, de carro, de ônibus, só pra dizer oi. Foi amor sim. Com ele eu tive momentos inéditos, até então, na minha vida. Despertei o lado ciumento que eu jamais cultivei. Eu, justo eu, que sempre considerei a amizade tudo de mais importante no mundo desejei que todos os amigos dele morressem, só pra ele poder ter mais tempo pra mim e menos pro futebol. Viver se tornou algo mais fácil, porque nós estávamos juntos. Por causa dele eu desejei me tornar alguém melhor. A teimosia e o mimo que sempre me acompanharam eu fiz questão de despachar, porque ele não gostava disso. Eu vivi trezentos e sessenta e cinco dias por ele. Mas acabou. O amor acabou. Não assim, da noite pro dia, mas acabou. As coisas foram acontecendo... A gente se acostumou e por muito pouco não se detestou. E eu não fui uma falsa, mentirosa e filha da puta por isso. Há quem duvide do amor que senti, mas eu amei, e sofri demais quando acabou também. Mas relacionamentos se desgastam, isso é fato. Pior é empurrar com a barriga, achando que amanhã o amor vai nascer de novo. Pior é querer ficar junto só porque a família dele te ama e porque você acha que jamais vai encontrar um homem que te ame mais que ele. Pior é ficar junto só porque ele chora bonitinho dizendo que te ama quando você diz que não quer mais. Pior é ficar por pena e medo de se arrepender. Porque, cá pra nós, se você se questiona sobre o amor é porque não ama. Então, não tem porque ter medo de se arrepender. Vai doer. Você vai sentir saudade, como eu ainda sinto. E em certos momentos vai até pensar que fez a escolha errada. Mas vai passar, como tudo passa. Você vai descobrir que o amor pode acontecer mais vezes em uma vida. E quando encontrar a pessoa certa, vai ver que todos aqueles amores passados foram apenas pontes que serviram pra te encaminhar pro teu verdadeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Angela&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-4352035026229134946?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/4352035026229134946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/4352035026229134946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/o-amor-acaba.html' title='É, o amor acaba.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-6330471345393385854</id><published>2007-12-21T18:08:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T18:10:29.410-08:00</updated><title type='text'>Finalmente entendi.</title><content type='html'>as borboletas que moravam no meu estômago fugiram. eu ouço música só porque no silêncio fica mais fácil pensar. eu saio com meus amigos só porque é o que eu sempre fiz. eu bebo demais porque sim. eu desapareço e não atendo mais o telefone quando fica difícil. eu não consigo me orgulhar de nada que eu tenha feito até hoje. eu poderia ter feito muita coisa. todos diziam que eu tinha potencial. mas eu fui preguiçosa. eu quis fugir, eu quis apaziguar as vozes na minha cabeca que me faziam ser quem eu era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu consegui. hoje em dia consigo passar dias inteiros sem fazer absolutamente nada. o preço que estou pagando e que eu posso fazer absolutamente tudo que eu sempre sonhei, e não fico feliz. a calma tem seu preço. não existe o alto sem o baixo. não existiam mais os prazeres simples. não existia mais a calma de fumar o primeiro cigarro da manha. existia só a sabedoria que aquele cigarro era o primeiro de muitos que ainda estavam por vir. todos tão sem gosto quanto o anterior. o primeiro gole de cerveja era so um passo para o fim da noite numa mesa coberta de copos vazios. esperava o tempo passar. ainda estou esperando, e nada esta mudando. cada dia era so um dia na sequência de inúmeros dias que ainda estavam por vir, cada um com o seu próprio vazio. todos tão iguais e ao mesmo tempo tão únicos. fazia tanto tempo desde a última vez que tinha sentido qualquer tipo de dor que as dores começavam a fazer falta. tanta falta quanto as risadas que as precediam e inevitavelmente as seguiam. queria viver, mas tinha matado a paixão. as drogas nao funcionavam mais. eram só mais uma dessas coisas que continuava a fazer so pelo hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esses são os pedaços da história que sempre cortam dos filmes. os pedaços entre o momento que eles se conhecem e o momento em que vivem felizes para sempre. eu nao quero mais um final feliz. eu quero uma história inteira. eu quero acordar sentindo o sol na cara e poder ficar 5 minutos deitada feliz mesmo sabendo que estou atrasada. eu quero ter com quem compartilhar a piada estupida que estou tentando enfiar nesse texto desde que comecei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vai dar trabalho sair do isolamento. eu sei que vai, mas é isso que eu quero. eu quero lutar por algo, igual eu lutei pela calma. nem que seja pra descobrir que não era o que eu queria igual acabou de acontecer. precisava aprender como era o meio termo, so pra descobrir que queria os extremos. eu quero gritar com alguem. eu quero voltar a me importar o suficiente para gritar. não nasci pra falar baixo, nem pra ficar quieta. só queria saber se conseguia, e descobri que consigo. tive que fugir de tudo que eu conhecia pra saber que não era por casualidade que eu conhecia aquilo, era quem eu era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que sei onde eu errei. eu estava procurando algo mais. a verdade e que nao importa o que a gente tem, onde a gente está. importa quem esta com a gente esta. eu queria conseguir explicar pros meus amigos o quanto eu amo eles, e o quanto eles sao importantes para mim. sem eles minha vida não seria absolutamente nada. queria poder pedir desculpas por ter achado que o que eu tinha não era suficiente. nunca consegui apreciar tanto o que eu tenho até hoje. e isso pode nao significar absolutamente nada pra você, mas pra mim e mais do que suficiente saber que eu finalmente entendi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofie&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-6330471345393385854?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/6330471345393385854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/6330471345393385854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/no-significar-absolutamente-nada-pra.html' title='Finalmente entendi.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-1995368949321247623</id><published>2007-12-21T18:05:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T18:06:30.991-08:00</updated><title type='text'>A carta dois.</title><content type='html'>E porque ele me disse que eu caio sempre e sempre no mesmo assunto. Mas que diabos, por que nada que escrevo que não seja sobre você não me soa verdadeiro? Eu não ligo, viu. Seja feliz. Com ela, sem ela. Você quem decide. Eu só quero aprender a escrever sobre outra coisa que não seja você. Hoje eu vim pra dizer, de novo, que a vida tá boa, é sério. E mesmo que eu fique repetindo e repetindo tudo isso, toda hora, é verdade. Porque você nunca lê nada, não me interessa você saber de nada. Mas eu fico feliz, por estar feliz sem você. Tanta, tanta coisa aconteceu que eu realmente nem acredito nessa felicidade. Tá tudo fácil demais. Chega ser estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até quem não te conhece, até mesmo meus novos amigos sabem de você. Seja por um perfume e pelo meu comentário idiota de como aquele cheiro me lembra você. Ou alguém com nome igual, eu solto aquela piadinha ridícula dizendo o quanto quero distância de pessoas com esse nome, só pra poder falar de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele disse que estou presa à você (?), porque vivi minhas maiores experiências com você. Como assim? Que viadagem isso! Eu saio e me divirto. Volto pra casa, deito com a cabeça no travesseiro e durmo feliz, sem tristeza! Mas eu não sei escrever e nem não lembrar de algo que não seja sobre você... É uma bosta, sabe. E algumas vezes ele me pergunta coisas sobre você, diz que é pra nunca fazer nada igual. Mas incomoda, eu sempre engasgo, acabo mudando de assunto. E o mais curioso é que sou sempre eu quem inicia a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dias ele me perguntou o que eu diria, se depois de quase trezentos e sessenta e cinco dias eu te encontrasse de novo. Sabe o que eu respondi? Vai tomar no cu. É! Acredita? Ele não. E eu também, pra ser sincera. Acho que te daria um abraço forte, sem dizer nada. Mas seria quase impossível essa aproximação, depois de tanta coisa que aconteceu. Então eu simplesmente faria cara de nem-ligo, e fingiria que nunca te conheci. Sei lá...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis ser sua amiga, lembra? Eu quis sim! Mas você é uma bichinha cheia de sentimentos melosos e me disse que não-se-é amigo-de-quem-se-ama-e-não-se-pode-tocar. Ok, ok. Lindo tudo isso! Mas eu gostava de te fazer rir, e cuidar de você e dizer coisas pra te deixar todo vermelho de vergonha. Alias, eu já disse que me sentia o homem da relação? E você era minha mocinha tímida… E eu juro que fui embora pra proteger você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torço pra que tudo esteja bem por aí. Que você continue frequentando a igreja, que é sua cara mesmo. Não tô zoando. Só não me entra na cabeça como alguém tão diferente de mim entrou na minha vida. Como um dia eu pude me apaixonar por um cara que gosta de pagode, não bebe e que fala menos palavrão que eu? Puta que pariu, francamente, hein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Angela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-1995368949321247623?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1995368949321247623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/1995368949321247623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/carta-dois.html' title='A carta dois.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-5774482108567461688</id><published>2007-12-21T18:04:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T18:05:20.127-08:00</updated><title type='text'>A carta.</title><content type='html'>que não será entregue...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu me peguei pensando em você. Assim, bastante, sabe. Não foi coisa pouca, rápida. Eu pensei e me lembrei de tudo. Me deu vontade de saber como anda sua vida, como anda você. Senti vontade de te ligar, de falar com você. Saber se ainda namora com ela, se você pensa em mim, se ainda tem raiva de mim. Porque olha, eu não tenho raiva de você. É sério! Pra falar a verdade, talvez eu nem saiba o que sinto. Mas hoje eu senti tanta saudade sua. Saudade boa, sabe? Não daquelas que nos deixam aos prantos, lamentando o passado. Mas aquela saudade que faz brotar sorriso no rosto e que deixa os olhos da gente cheio de lágrimas bonitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei quando você me disse que trocar de namorado é apenas trocar de defeitos. Acho que concordo com você. Não arrumei nenhum fixo, por sua culpa. Acho que peguei um certo trauma de relacionamentos. Mas todos aqueles que vieram desde que você se foi são bem chatinhos, viu? E olha, eu deixo claro desde o ínicio que odeio ciúme. Não quero dar brecha pra que aquelas coisas chatas aconteçam de novo. E acho que meu rosto forma uma expressão tão sincera que eles nem ousam me cobrar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto de você, mas ele, esse último agora, me disse que gosto sim. Disse que passo muito tempo da vida reclamando de você ainda. E que se não gostasse, não sentisse falta, eu nem lembraria. Eu discordo. Continuo acreditando que amor é coisa que dá e passa, e passou. Amor é coisa da cabeça da gente, não do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós nunca combinamos em nada, ok. Sou desencada demais, tudo bem. Eu fumo, eu bebo e falo palavrão. É feio, você sempre disse. Mas me pergunto como passei tanto tempo ao seu lado e nunca te disse que você é muito machista e bichinha. Assim, com todo respeito. E não no exato sentido da palavra, entende. Sempre me senti o homem da relação. Era ruim. Quero dizer, toda mulher quer se sentir protegida. E eu que sempre cuidei de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, mandei um beijo pra sua mãe. Diga que ela continua sendo minha preferida, pra sempre. Ao seu irmão, peça desculpas. Fui embora devendo um jogo do play 2 pra ele. Seu pai… Bem, nós nunca tivemos muito assunto, né. Mas diga à ele que sinto falta dos churrascos inesperados que ele fazia em minha homenagem. Pra você... Hum, obrigada. Apesar de sentir essa dorzinha chata do lado esquerdo do peito às vezes, obrigada. Eu me reencontrei. Reconquistei minha vida e meus amigos. E tirei a bendita carta de motorista que você sempre atrapalhou. Continuo estudando no período nortuno da faculdade. Venho fazendo tudo o que você detestaria saber. Continuo bebendo, voltei a fumar. E ainda falo palavrão pra caralho. Também dou “liberdade para as pessoas”, como você dizia. E não, eu não fui fazer uma visita à igreja. Descobri também que essa é a minha vida, e eu não quero mudá-la novamente por causa de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vai sempre morar no meu coração, menino. Eu prometo. Confesso que às vezes sinto sua falta. Mas escrevi porque preciso muito dizer que nunca, nunca mesmo, eu me senti tão feliz sem você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Angela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-5774482108567461688?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5774482108567461688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5774482108567461688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/carta.html' title='A carta.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8583644020514333020</id><published>2007-12-21T17:57:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T18:01:13.219-08:00</updated><title type='text'>Ele não é só um cara.</title><content type='html'>Ele não é só um cara, esse sim, esse esquenta as suas mãos e escuta os seus impropérios e gracinhas com o mesmo apego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz perguntas, faz suas unhas, faz comida, te leva o mundo numa bandeja quando você acorda. Ele não te deixou apodrecendo ali onde você não pudesse incomodar, não não: ele chegou meia hora antes e trouxe flores cor de laranja. Depois te levou para algum lugar cheio de estrelas e pernilongos. E te avisou que quando seus olhos borraram do rímel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é diferente de tudo o que é errado em seu mundo e em outros mundos. Não te poupa de nada, porque sabe que você é esperta. Você diria que ele salvou sua vida se não soasse tão dramático. E se isso não fosse mentira – a sua vida velha não merecia ser salva e ele te trouxe uma vida nova que inventou só pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele te faz sofrer muito, porque sofrer é importante. Ele não faz planos ou promessas, só surpresas. Te ensinou a gostar de surpresas, a esperar, ele te deixa esperando, não deixa nada muito claro, você voltou a roer unhas, você nunca sabe, mas a verdade é que ele está sempre ali, ou logo adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é diferente. Ele não é só um cara. Ele te ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque entende os silêncios. Ele mente pra não te chatear e não te deixa descobrir. Ele existe. Você sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas você prefere ser a garota dele. E que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ele não é só um cara. Você não quer mais só um cara. E ele é tudo que você quer hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Priscila&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8583644020514333020?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8583644020514333020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8583644020514333020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/ele-no-s-um-cara.html' title='Ele não é só um cara.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7698951614051883913</id><published>2007-12-21T17:56:00.001-08:00</published><updated>2007-12-21T17:56:38.282-08:00</updated><title type='text'>Sem acentos nem dignidade.</title><content type='html'>e esperando que a carapuca sirva que eu estou escrevendo esse texto sem acentos nem dignidade. a perda dos acentos eu posso justificar, mas a dignidade e apenas algo que eu perdi no caminho e so fui perceber quando era tarde demais pra voltar e buscar. sabe, voce faz uma parte muito maior da minha vida do que eu faco na sua. eu sempre soube disso, e nunca nem imaginei o contrario. embora uma partezinha de mim sempre esperava que talvez, de vez em quando, ou ate de vez em nunca voce estivesse andando pela rua e lembrasse da minha existencia sem motivos ou so porque queria me contar uma piada. e, eu penso em voce assim, do nada, enquanto estou procurando um endereco no mapa, ou as vezes esperando a torrada ficar pronta. inevitavelmente, surge um sorriso na minha cara quando isso acontece. e talvez por isso que eu tenha me conformado a fazer uma infima parte da sua vida, mesmo sabendo que voce nunca quis, nem pediu, nem deixou com que eu tivesse um papel mais importante na tua. so porque sim. ja passei muito tempo querendo que isso fosse diferente, mas na verdade, isso e culpa do orgulho. maldito orgulho. eu sei que so mereco mais. eu sei que tem muita gente que me trata muito melhor, e que queria que eu gostasse deles tanto quanto eu gosto de voce. mas essas coisas a gente nao controla. por bem, ou por mal. eu nao consigo gostar menos, nem voce consegue gostar mais. antes achei que estivesse esperando. esperando minha deixa, minha brecha pra aparecer e te mostrar que posso ser muito mais do que voce imagina. agora eu nao estou mais esperando. tambem nao sai correndo, mas resolvi me ater a esperar coisas que sei que vao acontecer. agua ferve, eu espero. onibus vem, eu espero. chuva para, eu espero. voce me amar, nao vai acontecer, nao vou esperar. afinal, a morte tambem vem, mas se eu nao vou viver, e melhor ja acabar com a espera e me matar. e sem rancor que desabafo assim, e sem amor que eu escolhi viver ultimamente. eu consigo viver sem amor, e isso nao e nada triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;triste e o papel que eu me designei na vida durante os ultimos anos, de ser a garota que estara sempre te esperando. se nao voce, outra pessoa. por isso agora digo que pretendo esperar alguem que nao me faca esperar. pretendo chorar so por quem nao me faca chorar. pretendo amar so quem me de a minima atencao que a minha auto-estima e meu orgulho me dizem que eu mereco. pretendo tambem me contradizer e errar muito. afinal, erros sao sempre divertidos. mas voce, querido, voce nunca foi um erro. voce foi so uma decepcao. lembra que eu te disse que nao sei lidar com pessoas, porque elas sempre me decepcionam? entao. se nao me entediam, me decepcionam. pense que voce pelo menos nunca, nunca, nunca me entediou. e isso e mais do que eu posso dizer sobre a maioria das pessoas. espero que voce continue nao me entediando na sua presenca esporadica aqui na minha vida. espero que voce algum dia encontre alguem que esteja disposta a te amar o tanto que eu poderia ter te amado, e mais do que tudo, realmente espero que voce nunca mude. voce e especial, e eu tambem sou. e se algum dia voce parar pra pensar em mim e sorrir, eu vou ficar extremamente feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7698951614051883913?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7698951614051883913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7698951614051883913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/sem-acentos-nem-dignidade.html' title='Sem acentos nem dignidade.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-2742462943727518881</id><published>2007-12-21T17:52:00.001-08:00</published><updated>2007-12-21T17:54:01.500-08:00</updated><title type='text'>Duas hipóteses.</title><content type='html'>Engraçado que o ponto final foi colocado por desistência. Desistência da minha parte, claro, já que você - embora não tenha sido honesta o suficiente pra mandar a real e dizer tudo claramente - já tinha desistido há muito tempo. Mas você tinha razão em fingir que nada acontecera, já que aquilo sequer deveria ter começado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou te dizer o que me deixa puto, hoje em dia, quando penso no fato: suas mentiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você mentiu pra caralho. Nada daquelas mentiras comuns, do tipo “não, não tenho saído com ninguém”. Não ligo pra esse tipo de bobagem, nunca liguei. Suas mentiras eram piores. Muito mais torpes, muito, muito mais baixas. Ficavam na linha do “ainda gosto de você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manja aqueles iô-iôs de silicone que viraram febre um tempo atrás? Que você puxa pra si com violência, dá um tapa pra repelir, puxa violentamente de volta, repele mais uma vez, e assim sucessivamente? Foi o que você fez comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que eu não enxerguei dessa maneira na época, ou teria - perdão pela grosseria, mas me conheço e seria bem assim mesmo - te mandado tomar no cu. Sem meias-palavras, porque eu sempre fui a parte sincera da dupla. Você só mentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você ainda lembra das suas desculpas pra não me ver? Dizia que não queria sofrer e blá, blá, blá. Era estranho você dizer que gostava de mim e em seguida emendar com um “mas não quero te ver pra não sofrer”. Isso me faz levantar duas hipóteses:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Eu tenho um quê de torturador que te fazia sentir ímpetos de me pedir pra derramar cêra quente nas suas costas, enfiar agulhas sob suas unhas e te deixar imobilizada por 24 horas sob uma goteira; ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Você gostava tanto, mas tanto de se fazer de vítima, era tão apegada à sua mania de bancar a sofredora que se permitir alguns momentos de diversão comigo ia contra essa sua postura choramingas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não era nada disso. O que você nunca teve foi coragem pra falar sério comigo e dizer, numa boa, que eu não era o que você pensava ou qualquer coisa assim. Isso eu teria entendido e superado bem rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, que tipo de trouxa eu era pra não enxergar, nessa desculpinha mais furada que peneira de garimpeiro, o “não quero nada contigo” que estava implícito? Que tipo de idiota eu fui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior tipo: o trouxa apaixonado. Puta palavra piegas, mas é verdade. Fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acho que eu tive sorte, de todo modo. A cada vez que você me atraía com aquele seu jeito irresistivelmente adorável e depois me repelia com um draminha ridículo - do qual eu deveria rir, mas que me deixava muito preocupado - eu ficava com uma guria qualquer, numa tentativa vã de esquecer sua existência ou substituir o sentimento que tinha por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo eu me arrependia de ter dado atenção a boa parte delas, mas hoje em dia isso passou, em parte: elas não queriam porra nenhuma comigo, assim como você também não. Me acostumar à rejeição imediata delas me ajudou a conviver com sua rejeição lenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas respeito mais elas do que você, já que elas foram sinceras. Você me fez de palhaço. Óbvio que a culpa não é só sua. Em boa parte é minha. Se eu não tivesse deixado, se tivesse te dado logo uma dura e dito pra você parar de viadagem, se tivesse te mandado cagar ou desocupar a moita, o processo teria sido bem mais ágil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tive peito pra tanto, na época. Uma pena. Assim meu sentimento por você não teria passado por todas as etapas que passou até evaporar completamente. Depois de um tempo meus pensamentos sobre você eram repletos de mágoa. Mas isso passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois eram raivosos. Mas isso também já foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje em dia, ao pensar em você, só me ocorre uma coisa: não somos conhecidos, colegas, amigos… não somos nada. Eu ignoro sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico meio triste quando noto o que tudo virou, porque é chato que um sentimento tão bacana quanto o que eu tinha por você acabe se tornando um vácuo. Mas não sou a primeira nem a última pessoa no planeta a carregar o arrependimento por ter dado atenção demais a quem não merecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E posso viver com isso numa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pedro Nunes&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-2742462943727518881?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2742462943727518881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2742462943727518881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/duas-hipteses.html' title='Duas hipóteses.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-6965146564018907362</id><published>2007-12-21T17:47:00.000-08:00</published><updated>2007-12-21T17:49:47.575-08:00</updated><title type='text'>Pra não esquecer.</title><content type='html'>porque eu preciso esquecer você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei bem, lembro-me de que era domingo. ela, a menina-peito, me ajudou a te esperar. tenho na memória seu rosto surpreso ao me ver ainda descabelada, de meias coloridas e listradas. foi engraçado. e mágico após me dar o primeiro abraço me dizendo que eu era linda. eu quase acreditei em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;espertinho, pilotava a moto passando a mão na minha perna. e eu, boba, morria de vergonha. tentava esconder atrás da sua nuca meu olhar malicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu comi picles por sua causa e detestei. depois te contei que odiava picles e que comi por vergonha de enfiar o dedo no lanche, como sempre faço, e parecer nojenta. aí a gente achou graça, porque até ontem mesmo você quem tirava o picles pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembro do primeiro beijo como se fosse hoje. tudo me lembra você e todas as coisas que fizemos juntos. não esqueço da primeira peça de roupa deixada aqui em casa. não me esqueço de todas as nossas primeiras vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gostaria que você soubesse que apesar de tudo, eu ainda te considero patético. ainda te acho chato demais e ciumento demais. mas eu ainda te amo, sabe-se lá o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu respiro aliviada por chegar em casa quando quero, e o melhor: não ter que falar sobre o meu dia pra você. você sabe, eu sempre detestei o tipo de satisfação que você me cobrava. sinto sua falta e ainda enxergo tudo de ruim que eu não queria enxergar em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tirei suas fotos do corredor e dei um jeito em quase tudo que ainda resta um pedaço seu – menos o gato. ele continua comigo e eu o amo, mesmo que ele me assuste com lembranças suas. e uma bronca é o suficiente pra ele recolher suas meias, que o pestinha agora faz questão de brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas eu acredito em contos de fada, você sabe, sempre soube e sempre riu de mim por isso. um dia eu vou olhar pra trás e ver que eu não sofri como acho que venho sofrendo. nos olhos do meu príncipe eu vou encontrar tudo que não encontrei em você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... mas até lá vai continuar doendo. até lá o peito vai parecer explodir se eu não puder te abraçar. e eu vou chorar, como todos os dias, feito criança, me sentindo perdida se não puder ser guiada por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu te amo, meu menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de coração. do tamanho do sol. diante de deus. muito. e pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Angela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-6965146564018907362?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/6965146564018907362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/6965146564018907362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/pra-no-esquecer.html' title='Pra não esquecer.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-6912794028141601901</id><published>2007-12-21T17:41:00.001-08:00</published><updated>2007-12-21T17:45:49.403-08:00</updated><title type='text'>A resposta costuma ser nada.</title><content type='html'>eu tenho um defeito. bom, na verdade, tenho vários. só depende da história em questão, né. se isso fosse uma entrevista de emprego, eu diria que meu maior defeito é ser perfeccionista. se isso fosse um primeiro encontro, talvez eu diria que meu maior defeito é ser ninfomaníaca, ou extremamente ciumenta, controladora, e um pouco homicida; dependendo das minhas intenções com o rapaz, claro. mas estou aqui para falar sobre outro dos meus defeitos, que é no qual se baseia a seguinte história. eu não lembro de datas. eu sou aquela pessoa que sempre vira a cabeça e arregala os olhos quando perguntam “você já terminou o trabalho final? é pra amanhã...” e aí fica desesperada lembrando ter pensado “pff. 5 semanas pra fazer isso?” quando passaram o trabalho e tentando descobrir o que diabos eu fiz de tão importante durante essas 5 semanas (a resposta costuma ser nada.) eu sempre tenho que perguntar a data na hora de preencher formulários, ou na hora de preencher cheques. hoje em dia nem cheque mais eu tenho justamente por ser incapaz de lembrar de datas. (longa história, tomei no cu por causa de um cheque e uma taxa de banco de alguns 76 centavos). de qualquer maneira, isso também significa que quando eu vou pensar sobre há quanto tempo algo aconteceu, eu não faço idéia. que ano foi o show do sei lá quem que mudou minha vida? que ano eu perdi minha virgindade? faz quanto tempo que eu não mênstruo? que ano eu me formei no colégio? há quanto tempo eu moro aqui? desde quando a gente se conhece? eu costumo fazer essas contas uma vez, com muito trabalho e estabelecer que conheço pessoas há 2 anos, por exemplo. de repente, 5 anos se passam, e eu ainda estou por aí dizendo “caralho, e a gente já se conhece há dois anos…” e o que isso tem a ver com aniversários, e presentes, você se pergunta? tudo, oras. vamos dizer que eu conheço um menino há algum tempinho. estamos namorando, ele me pediu em namoro no dia 14 de setembro. estamos apaixonadinhos e babaquinhas. nos damos presentinhos e mandamos mensagens pelo celular o dia inteiro. isso sem contar os scraps do orkut, que estão ali pro mundo inteiro ler e saber o quanto somos felizes e monguinhos. o resto do mundo não nos importa mais. desarmamento? hã? política? o jogo? casou? aaah tá... legal. então vamos inventar mais piadinhas internas e continuar sendo monguinhos que é muito mais importante do que o futuro do mundo. futuro? pff. importa isso, agora. aí o tempo vai passando, passando, continuamos apaixonados. nos vemos o tempo todo, e não enjoamos. morremos de saudade toda vez que saímos com nossos amigos, mas sabemos que é necessário desgrudar um pouquinho que seja; porque saudades faz bem. nos ligamos no meio da noite, escondidos no banheiro, logo depois de alguém fazer algum comentário do tipo “pô desde que você começou a namorar nunca mais te vi”. somos o típico casal adolescente. durante o dia, enquanto comprimos nossas obrigações, acho um pacote de bala que você me deu ontem no cinema e lembro de você, só pra perceber que eu já estava pensando em você. namoro, né, minha gente. é assim que funciona. eeeeenfim. aí o tempo continua passando e um dia você me liga e fala “vamos fazer um piquenique no ibirapuera amanhã?” claro que concordo. coloco algum vestidinho de verão e lá vamos nós, tomar vinho e comer alguma bobagem no ibirapuera, deito no colo dele e ficamos conversando sobre como parecemos pequeninhos debaixo do céu tão grande. sobre como eu adoro as sardinhas que ele tem nas bochechas. sobre como o superhomem ganharia se fosse brigar contra o batman, e sobre como o super-poder que eu escolheria seria a invisibilidade. o sol se põe e vamos pro bar. ele bebe um monte de cerveja e eu bebo um monte de vodka com alguma coisa, porque eu sou uma bêbada, e ele nem tanto. ele faz piadinhas sobre meu cigarro e diz que eu devia fumar menos, eu digo que eu sei, mas que ele não devia se esquecer sobre como ele gosta do cheiro de cigarro que fica no meu cabelo. ele concorda e acende o cigarro pra mim com o isqueiro que sempre carrega pra acender meus cigarros, porque sabe que eu sempre perco meus isqueiros e depois fico mal humorada por ser tímida demais pra pedir isqueiros pra estranhos. aí na hora dele preencher o cheque ele diz “sabe que dia é hoje?” e eu digo “20? não, não… 15, acho.” “não… hoje é dia 14 de setembro.” eu digo “ah tá. se sabia porque perguntou?” “feliz aniversário de namoro.” “...” “eu sei que você esqueceu. eu sabia que você ia esquecer. eu não esqueci. meu presente foi esse. um dia normal.” eu dou uma risadinha e respondo “foi o melhor presente que você poderia ter me dado. vamos pra casa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-6912794028141601901?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/6912794028141601901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/6912794028141601901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/12/resposta-costuma-ser-nada.html' title='A resposta costuma ser nada.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7897857357239669454</id><published>2007-11-20T05:19:00.001-08:00</published><updated>2007-11-20T05:19:52.538-08:00</updated><title type='text'>Final (in)feliz.</title><content type='html'>Usava meias brancas dentro de casa. Lógico, não era ele que as lavava. Pra isso existiam as lavanderias do bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabelos bagunçados e dentes bonitos graças à três anos de aparelho fixo durante a adolescência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha uma namorada, Anna, há quase um ano. Ela tinha cabelos claros e gostava de cinema. Faziam sexo três vezes por semana e moravam há cinco quadras um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o inverno sua roupa preferida era um suéter preto que ganhou de aniversário de uma tia, em 1999. Era sua peça de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua escrivaninha era deveras bagunçada, com milhares de papéis espalhados, traduções e recortes de revista. Estava tentando aprender francês sozinho em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un, deux, trois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu pra comprar pão e iogurte numa quinta cinzenta e esbarrou no amor da sua vida. Julia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ei, cara, não precisa empurrar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só conseguiu dar um sorriso bobo e dizer que tinha um farelo grudado no queixo dela. Ela ficou vermelha e mais irritada. Ora, onde já se viu um cara que se encosta todo e nem pra pedir desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... desculpa, viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, bom. Assim, sim. E ele até era bonitinho. Comprou o pão e olhou mais uma vez, Julia agora estava sentada sozinha numa mesa tomando refrigerante e comendo um mil-folhas enquanto lia um livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou pra casa pensativo e lá estava Anna, tinha comprado um DVD novo e queria assistir, tinha até arrumado a cama dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel, você precisa levar essas meias pra lavanderia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabia. E não era só isso. Ele precisava levar a vida toda dele pra lavanderia, jogar uma água e mudar de ares. Anna era linda e inteligente, Anna era um amor pra toda vida. Mas não pra vida dele. Não. E ele havia descoberto isso naquele mesmo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahn, já assisti esse filme na faculdade ano passado, vai vendo que eu vou levar essas meias mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela achou que tudo bem, deitou na cama e ficou assistindo. Ele juntou as meias numa sacola, pegou a chave e uma cerveja da geladeira e saiu de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou a quadra toda e entrou na lavanderia, deserta. Estava dando um jeito naquelas meias todas e alguém entra e esse alguém é Julia. Ela olha nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas meias cairam no chão, ele juntou e pensou em algo pra se dizer, não vinha nada na cabeça, o momento parecia estar escapando das mãos então falou qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oi, eu sou Dan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou olhando com uma cara de oh-céus-o-que-eu-digo-para-o-senhor-falta-de-criatividade. Segundos depois ela respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que cheiro ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São minhas meias, mas não espalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua pose de rainha irritada foi pelos ares e teve que dar um sorriso de canto. Assim começou uma longa conversa. Sentados nas cadeiras plásticas da lavanderia, falaram desde meias até Natal em família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele sabia o nome da menina e sabia que ela gostava das mesmas bandas que ele e que tinha cílios grandes. O que ele achava lindo. E Anna não tinha cílios grandes, apesar de sua beleza ímpar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou pra casa e disse pra sua namorada que precisava dormir, ela foi embora e ficou a noite inteira pensando em Julia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia apareceu na lavanderia, levou umas camisetas, e lá estava ela. Eles não tinham marcado, mas já sabiam. E sorriram mil vezes e falaram de livros e de infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, Anna ligou e Dan partiu seu coração. Era necessário. Ele tinha algo a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou interessado em outra pessoa, Anna. Foi bom enquanto durou. Levo teus DVDs na terça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Anna entendeu, era centrada. Sofreu um pouco e engoliu o choro. Era uma mulher de cabeça erguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele foi até a lavanderia, foi procurar Julia. Ela não tinha chegado. Esperou mais dez minutos. Estava garoando, ela poderia ter se atrasado. Talvez nem viesse. Ele estava com o suéter preferido na mão. Trouxe pra lavar e pra mostrar à Julia seu troféu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezoito minutos depois ela chegou, cabelo meio molhado, blusa amarela. Sorriu. Eles se abraçaram como se fossem velhos conhecidos. Naquela hora ele viu que não se arrependeria de ter abandonado o que tinha construido até ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá frio. Eu te trouxe um livro hoje. Vamos sair pra comer um doce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz baixinha e rouca dela era música pros seus ouvidos. Ela o puxou pelas mãos e seus corpos tremeram. Aquele seria o dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a toa que se diz por aí, as pessoas sentem quando vão se apaixonar pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correram pra atravessar a rua, daria uma bela fotografia antiga em preto e branco aquela cena. Porém, o carro não freiou no sinal vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois morreram ali, de mãos dadas e antes do seu primeiro beijo. Pararam de respirar antes mesmo de a ambulância chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro acelerou. Era Anna. Todos sabemos quando coisas importantes vão acontecer. Anna também já sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela era mais uma dessas mulheres centradas que simplesmente não aceitam perder, que não admitem o fato de que nem todos os finais são felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no bolso de Daniel um último escrito, mostrando que o dia já estava marcado pelo fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Drama Queen.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7897857357239669454?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7897857357239669454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7897857357239669454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/11/final-infeliz.html' title='Final (in)feliz.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-5679843057687341375</id><published>2007-11-19T14:48:00.000-08:00</published><updated>2007-11-19T14:53:10.394-08:00</updated><title type='text'>É só uma questão de tempo.</title><content type='html'>É ridícula a certeza que eu tenho de que algum dia vou encontrar alguém que vai me surpreender todos os dias, quando eu não consigo conversar com pessoas por mais de quinze minutos sem bocejar. Mas o pior de tudo é achar que mesmo se essa pessoa existe, ela vai gostar de mim. Porque eu me contento com pouco. Doses constantes de pouco. Não festas surpresas e rosas no meu aniversário. Não. Chocolates, então… melhor só me dar uma carta dizendo que não quer mais ser meu namorado. quero presentes pessoais. Quero piadas internas. Quero aquele livro que eu sempre quis ler, mas por algum motivo que desconheço nunca comprei. Quero uma coletânea com músicas ruins, ou não, que descrevem a gente. Quero ter vontade de gritar com você, quero jogar coisas em você e dizer sai da minha vida, mesmo sabendo que você não vai sair. quero dançar pelada na sala sem me cobrir quando você entrar na sala. Quero que você me acorde pra falar “vamos ficar em casa hoje e passar o dia debaixo do cobertor” e aí deite no meu pescoço e volte a dormir. Eu quero discutir sobre qual embalagem deixa a Coca-Cola com um gosto melhor, e achar bilhetinhos escondidos nos meus bolsos falando besteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-5679843057687341375?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5679843057687341375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5679843057687341375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/11/s-uma-questo-de-tempo.html' title='É só uma questão de tempo.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-9172587278194301966</id><published>2007-11-19T14:41:00.001-08:00</published><updated>2007-11-19T14:41:52.856-08:00</updated><title type='text'>Um dia eu já fui feliz.</title><content type='html'>amores perdidos. esse relacionamento tinha tudo pra dar certo, menos eu. eu achei que já estava na hora, mas não estava. como vidro, eu quebro. e eu já quebrei há anos. e até hoje, ninguém se deu o trabalho de juntar os pedaços e arrumar a bagunça. apenas presumiram que eu estivesse inteira e pronta pra ser derrubada de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu nunca fui um vaso ruim. sempre fui o melhor vaso da estante. aquele que todos sabiam que com um sopro, quebraria. mas quem me quebrou não assoprou. juntou todas suas forças e me arremessou no chão. depois ele pulou encima dos cacos. estilhacei. virei pó. dizer que apenas quebrei seria uma injustiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até hoje tenho cicatrizes por causa disso. eu sempre minto e digo que são coisas da infância. mas não são. são marcas da coisa que mais me moveu até hoje. e isso foi há anos. talvez eu fosse criança demais pra saber das coisas, mas eu duvido. talvez eu nunca supere isso, talvez eu nunca consiga pensar nele sem meu coração apertar. talvez esse seja o preço à pagar por ter amado do jeito que eu amei. talvez o preço seja ver as outras pessoas que amo irem embora porque eu passo a odiá-las no momento que elas arrancam casquinhas de feridas que elas nem sabiam que estavam lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não queria que as coisas fossem assim. talvez dessa vez elas não sejam. talvez dessa vez eu tenha achado um amigo que vai me ajudar a derreter os cacos e fazer um vaso novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ele nunca vai ser igual ao primeiro. ele provavelmente vai ser mais bonito ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia eu já fui feliz. quando eu tocava violoncelo e ele tocava violino e guitarra. gravamos umas vinte fitas. poderíamos ter sido famosos, poderíamos ter tido o mundo, mas não quisemos isso. só queríamos ser felizes. conseguimos por um tempo, e foi a melhor época da minha vida. suspeito que da dele também. mas ele teve que ir embora. e aí eu encostei meu violoncelo na parede, e um ano depois, com a minha permissão e minhas lágrimas, minha mãe vendeu ele. foi bom, e eu comecei a viver minha vida de novo. ele também não esqueceu. mas como eu, continua vivendo sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu vi ele outro dia. eu estava passeando pela rua, perdida. eu vi ele de longe e ele também me viu. olhou nos meus olhos. o olhar dele sempre teve o mesmo efeito em mim. é como se ele entrasse na minha cabeça, visse tudo o que tinha pra ser visto e saísse, deixando apenas uma risadinha e uma bagunça. eu sei que tenho o mesmo efeito sobre ele, porque ele desviou o olhar pra que eu não visse seus olhos encher de lágrimas. e eu não vi, mas eu vi uma lágrima caindo na camiseta verde dele. ele levantou a cabeça e continuou me olhando, dessa vez com os olhos vermelhos. e eu continuei olhando. mas quando nos passamos, eu não virei a cabeça. suspeito que ele também não. e aí eu sorri. porque lembrei de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sofie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-9172587278194301966?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/9172587278194301966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/9172587278194301966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/11/um-dia-eu-j-fui-feliz.html' title='Um dia eu já fui feliz.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-358014499621274264</id><published>2007-11-19T14:27:00.002-08:00</published><updated>2007-11-19T14:28:52.787-08:00</updated><title type='text'>Ele é só um cara.</title><content type='html'>Manual prático para momentos de franca desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só um cara. Não o "denso lago de mistérios gozosos onde você mergulhou e ainda não submergiu", nem o "sustentáculo de todos os ossos de seu corpo", tampouco "o mármore onde está gravada a suprema razão de sua existência". É só um cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quer mesmo saber? É um cara como todos os outros caras.&lt;br /&gt;Esse que te perguntou as horas no meio da rua: podia ter sido ele e você nem ligou. O mendigo, o ginecologista, o padre, o dealer. Ele estava ali o tempo todo. E ele não estava. Ele é só um deles. Vários. Uma legião. E ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só um cara. E não a sua vida. E não todos os dias da sua história. E não todas as suas lágrimas juntas em um único sábado solitário. Ele não é o destino. É um cara. Existem muitos destinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é só um cara que mal sabe escolher os próprios perfumes. Não sabe sangrar. Não sabe que nome daria a um filho. Não pode ficar mais tempo. Ele é só um cara perdido como muitos outros caras que você encontrou. E perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é só um cara. E você já esqueceu outros caras antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Priscila.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-358014499621274264?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/358014499621274264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/358014499621274264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/11/ele-s-um-cara_7960.html' title='Ele é só um cara.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-5151804605002393243</id><published>2007-11-19T14:21:00.000-08:00</published><updated>2007-11-19T14:34:52.786-08:00</updated><title type='text'>Ele lá e eu cá.</title><content type='html'>E se eu assoviar aquele música que ele sempre gostou, será que ele volta? Não, acho que não. Um dia, eu disse, como quem diz que o leite da geladeira acaba, acabou. Simples assim, acabou! E fui embora. Fiquei sabendo que a dor dele foi tanta que chegou a ser física. Nossos amigos em comum tentaram reconciliar o que eu sempre olhei torto: o amor. Por trezentos e sessenta e cinco dias, cinco horas e quarenta e cinco minutos eu tentei. Até o momento em que bati a porta de casa e me vi de frente com a plaqueta de madeira: - “Aqui mora gente feliz”. Só se fosse ele. Ou o Toddy, nosso cachorro. Sou réu confessa, deixei de acreditar que viver em dupla seria melhor do que morar sozinha. A vida depois daquele dia soou como valsa, aonde a mulher ia embora e não sentia falta (e tão pouco voltava). A vida trouxe novos acontecimentos, a solidão não era tão só, comecei a achar que o travesseiro branco do meu lado esquerdo sem ninguém ocupando era mais completo. Que fazer xixi de porta aberta era na verdade fazer as coisas para você mesma, sem se preocupar com a janta da noite ou com as contas para pagar. Às vezes me pergunto por que diabos eu fui embora? Simples, eu sou egoísta. Amar exige companheirismo, confiança e satisfação. Confio em mim e nos meu corpo de quase modelo. O Toddy veio comigo, do que mais eu precisava? E eu gosto de viver a minha vida, ter a liberdade de ir e vir, satisfazer minhas vontades sejam elas quais forem. Perguntaram-me por vezes intermináveis se o amor tinha acabado. Não, eu acho que não sei o que é amor. Amor se é amor, tem chance de acabar? E sinceramente eu acho que se eu não amei ele, ele também não me amou de verdade. Achei que não conseguiria viver sem aqueles trezentos e sessenta e cinco dias pro resto da minha vida, mas eu fui embora, porque eu gosto de correr risco, e com ele eu não corria nenhum. Mas hoje eu queria ele de novo. Hoje ninguém me chamou pra sair, minhas amigas foram viajar e eu tive que ficar trabalhando. Não, não enfraqueci, isso jamais! Só queria conversar com ele, brigar com ele, quem sabe. E se eu ligar pra ele e pedir para que ele volte? Não, acho que não. Um dia, ele disse, como quem me diz eu te amo, disse ele, com fraqueza na voz: - "te traí". É, deixa ele lá e eu cá. Ter vivido trezentos e sessenta e cinco dias diferentes não me tirou a vontade e esperança de viver dias melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-5151804605002393243?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5151804605002393243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5151804605002393243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/11/ele-l-e-eu-c.html' title='Ele lá e eu cá.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-9104434727703448508</id><published>2007-11-19T14:08:00.000-08:00</published><updated>2007-11-19T14:34:34.410-08:00</updated><title type='text'>Vida pós-primeiroamor.</title><content type='html'>Fazia tempo já que ela queria dar tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia escrever um conto sobre o que aconteceu há pouquíssimo tempo. Ia usar nome e características diferentes pra minha personagem principal e ia chamar o menino de Eduardo. Sei lá porquê, eu tinha decidido chamá-lo de Eduardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não dá. Eu odeio histórias auto-biográficas. Não as dos outros, claro, se não eu odiaria metade da literatura, mas eu odeio as minhas histórias auto-biográficas. Ficam, assim, no mínimo, ridículas e parece uma máscara mal colocada, sabe. Como se alguém fosse realmente acreditar que eu não sou a Samara, a Carla, a Maria, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meninas, especialmente, sabe aquele menino prasempre? Aquele que estava ali desde que você se lembra, seu primeiro amor, suas primeiras lágrimas, suas primeiras decepções, seus primeiros sonhos, suas primeiras músicas inesquecíveis pra sempre. Ele mesmo. Foi embora. E eu achava que isso era impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não embora fisicamente, porfavor. Isso ele foi em 2001, há mais de três anos – eu ainda lembro a data exata, mas vou guardar comigo (pelo menos isso). Então, ele foi embora. Saiu daqui, eu me livrei, eu percebi que já há tempos eu não tenho mais catorze anos e, além disso, eu nem acredito mais em amor romântico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele ainda ficava aqui. Ele morava no meu quarto, no meu uniforme do colégio, na minha cama, no meu bicho de pelúcia, nos meus emails, em tudo. A onipresença do indivíduo era, assim, quase que inacreditável. Mas ele foi embora. E eu estou sem descrições pro meu alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns diriam que foi amadurecimento, crescimento, aperfeiçoamento e um bando de entos idiotas aí. Mentira, não foi. Foi só coragem de perceber que há muito já eu vivia sem ele. Eu – e boa metade dos seres humanos – tenho uma profunda dificuldade de dizer tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu o achei no Orkut. Nada romântico. Há mais de um ano eu não trocava um oi com ele, via internet, telefone, ao vivo. [Ele mora BEM longe, vale dizer.] E aí eu estava perambulando por alguma comunidade tosca, achei um amigo e achei o dito cujo. Aí veio a foto. CASSETA. Veio também aquele alívio de, pombas, que bom que não fui eu quem piorou. Ai esses sentimentos mesquinhos e humanos. MEUS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, pessoa querida, não pense que será pra sempre. Não pense que COM VOCÊ será diferente. Não é. É tudo igual e a sua mãe tem toda razão quando diz que o tempo é o melhor remédio. Eu não acreditava, eu dizia que era mentira, eu julgava as outras pessoas que não conseguiam nem manter um único amor prasempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-9104434727703448508?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/9104434727703448508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/9104434727703448508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/11/vida-ps-primeiroamor.html' title='Vida pós-primeiroamor.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7727584942744924351</id><published>2007-08-16T09:13:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:55:23.174-08:00</updated><title type='text'>Uma rua.</title><content type='html'>Ela acordara atrasada. Muito atrasada. Tinha exatamente quarenta e cinco minutos para chegar ao seu trabalho. Em NY isso era muito pouco tempo. Que a verdade seja dita: ela não morava muito longe do trabalho; em dez minutos poderia atravessar a praça, passar por algumas ruas e chegar ao prédio de sua empresa. Mas, nos trinta e cinco minutos restantes, ela não poderia tomar seu café devagar (mastigando todas as vezes necessárias), tomar seu banho, fazer escova e chapinha, se maquiar, ler sobre a última moda na Vogue, escolher a roupa (baseando-se no que acabara de ler) e sair. Não, decididamente não. Hoje ele teria que ser rápida.&lt;br /&gt;Já ele, acordara cedo. Também morava a dez minutos do trabalho; era só atravessar algumas ruas e uma praça. Podia acordar uma hora antes de seu horário de trabalho inicial. Mas aquele dia, por problemas que não vêm ao caso, ele acordara duas horas antes do previsto. Ainda estava escuro. Tinha tempo de sobra para comer alguma coisa, tomar um banho, ler aquele livro interessantíssimo sobre a inovação européia na época da Segunda Guerra e ir trabalhar; a casa estava em perfeitas condições (a faxineira se encarregara disso no dia anterior; ele era péssimo nesse tipo de coisa) - definitivamente, não havia o que fazer.&lt;br /&gt;Por isso ela comeu apenas uma maçã (devia sempre ter cuidado com o peso), tomou banho e vestiu a primeira roupa que lhe veio à cabeça. Não era uma roupa feia, na verdade; mas era simples. Uma calça jeans, uma blusa social azul, e brincos. Bonita, arrumada, básica. Seus cabelos loiros contrastavam com a jaqueta preta, que combinava com o esparpin, que combinava com a calcinha - embora provavelmente ninguém fosse notar esse último detalhe.&lt;br /&gt;Ele tomou um banho demorado, passando aquele sabonete líquido que sua mãe lhe entregara mês passado e o qual ele nunca experimentara, por falta de tempo. Saiu, secou os cabelos com uma toalha felpuda e tomou seu café, com toda a calma, enquanto assistia ao jornal. Como tinha tempo de sobra, demorou mais algum tempo para escolher a roupa. Colocou o melhor terno que tinha, passou seu melhor perfume, escolheu os sapatos mais bonitos que achou no guarda-roupa.&lt;br /&gt;Esta pronta. Estava pronto.&lt;br /&gt;Ela saiu do apartamente rapidamente; nem ao menos deu oi para a vizinha que recolhia o jornal. Passou pelo porteiro sem dizer palavra - nem agradeceu quando ele pegou a bolsa que ela deixara cair no chão. Caminhou rapidamente pela rua, se dirigindo à praça.&lt;br /&gt;Ele abriu a porta, e fez festa para o cachorro do vizinho. Deu um bom dia educado e simpático para o senhor que, agora, chamava o cachorro de volta. Deu bom dia para o porteiro, comentou o resultado do jogo de ontem. São Paulo havia ganhado, ele devia dez reais para o porteiro - que ele sabia se chamar Leandro. Caminhou pelas ruas, pensativo.&lt;br /&gt;Nas ruas finais, ela o avistou: distinto, bonito, cabelo impecável. Seu terno estava perfeitamente limpo, e sua blusa perfeitamente branca. Os sapatos - que marca era aquela? Ela não sabia, mas deviam ser bem caros; como brilhavam! Olhou para ele, que arrumava o cabelo ao passar por uma vitrine. 'Como era diferente dos outros homens', pensou ela,'esse cavalheiro tão elegante! Aposto como não perde horas lendo. Veja só como se veste!'.&lt;br /&gt;Ela estava farta. Farta de homens cultos e inteligentes, como fora seu último namorado. Ele a esnobava, ria de sua inteligência (na verdade, ria da falta dela; mas ela não o sabia), de sua cultura, de seus modos. Ele a desprezava, ela sabia disso. E não estava disposta a passar por tudo isso de novo. Mas aquele homem ali, vindo na rua oposta, aquele sim era um homem. Não esses que se acham cultos, inteligentes. 'E sim um metrossexual', pensou, consigo mesma, 'aposto como se perfumou antes de sair, mesmo que a rua não perceba. Aposto como ele iria reparar no meu corte de cabelo novo'.&lt;br /&gt;Pouco depois de sair de casa, ele a viu. Viu seu cabelo loiro (que ele imaginou serem naturais, embora não fossem), viu seus olhos azuis. Estonteantes. Seu corpo, bonito. Mas viu além disso. O que era aquilo na sua mãe, um livro? Era, era um livro (ele não sabia que se tratava apenas de um livro de dietas). E seu cabelo? Não era mais um desses cabelos comuns, feitos de escovas japonesas, holandesas, mexicanas e sabe-se lá mais qual a nacionalidade ou o sabor que elas (as escovas) têm. Era ondulado, natural. Se mexia quando ela andava.&lt;br /&gt;Tão diferente de sua ex! Aquela sim, era uma mulher fútil. Só se preocupava com moda: quem usava o quê, de que marca, onde comprara e quanto custara. E acreditava em tudo o que lia naquelas revistas. E se importava com quem estava com quem, quem traíra quem e quem estava afim de quem.&lt;br /&gt;Mas quela mulher ali, do outro lado da rua, parecia tão diferente! Tão segura de si -não mais uma dessas fabricadas. Era ela mesma, era original, era educada e inteligente. Aposto que até já lera aquele livro que ele estava carregando. Podiam falar de livros, de filmes, de outras culturas. Era a mulher ideal.&lt;br /&gt;E então ela atravessou e parou em frente à uma loja, com sapatos Gucci na vitrine.&lt;br /&gt;Ele, sacudindo a cabeça, atravessou a rua e parou em frente à uma livraria.&lt;br /&gt;'Que decepção', pensaram eles, 'o mundo está mesmo perdido'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Milena Pedrosa Viana Ferreira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7727584942744924351?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7727584942744924351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7727584942744924351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/ela-acordara-atrasada.html' title='Uma rua.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-5370345036474926174</id><published>2007-08-16T09:04:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:33:50.841-08:00</updated><title type='text'>Aviso prévio.</title><content type='html'>dos meus pseudo-casinhos amoros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que até o título tá errado. era pra ser pseudo-casinhos pseudo-amorosos, mas ficava carregado demais. na dúvida, põe-se a expressão pseudo em evidência: pseudo (casinhos amoros) e resolve esse primeiro problema. mesmo porque não são nem casinhos e não são amorosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não são casinhos porque é naquela coisa virtual em que todo mundo que tem o trio fotolog-msn-orkut cai, de conhecer gente nova e interessante, mas que raramente dá certo de conhecer porque geralmente moram do outro lado do apaixonar por elas em dois minutos, eu sou altamente influenciável. então a gente continua nesse trio pra sempre, ou até eu enjoar de ver a cara de pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aí vem a parte do pseudo-amoroso. porque se eu consigo me apaixonar em dois minutos, consigo desapaixonar em um. é síndrome da paixão relâmpago, só pode. nos primeiros dias é a coisa mais feliz do mundo. sms pra cá, post de fotolog pra lá... você não vê a hora de chegar em casa e ver a tal criatura online. ela pode morar no interior da indonésia, mas ela vai poder fazer uma viagem aqui pra perto esse ano ainda e jura que vem me ver. ah, como a empolgação dos primeiros dias é boa. e é então que a mágica se perde no meio do caminho. de repente você não consegue mais entrar no msn e falar com ela e ter sempre as mesmas coisas pra dizer, e tudo some como névoa em começo de manhã. não, não é proposital, pelo contrário. eu tento até levar adiante, mesmo não querendo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas logo não dá pra esconder a indiferença, a falta de atenção. você percebe que pode passar o dia inteiro com a pessoa online sem falar com ela. ela percebe, é claro. mas como é tão orgulhosa como eu, não dá o braço a torcer. acha que eu tô me fazendo de difícil, mas logo percebe a situação. ah, como eu odeio essas horas de angústia onde a gente dá aquele "oi, tás bem?" só pra não ficar aquele silêncio e a pessoa responde com um "tudo ok/uhum" e fecha a janela. well, se um dos dois não deleta o outro, ela vai ocupar mais uma entrada no meu msn e vai ficar alí, um protótipo, algo que poderia ter dado certo, uma experiência. algo pra se lembrar e se lamentar, mas nunca pra se tentar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e nesses dias pós pseudo (casinho amoroso) dá um vazio imenso. fico todo emo, fecho gb de fotolog, fico away no msn. não que eu tenha com quem falar, porque entro num pití e deleto metade da minha lista e depois fico me achando a mais insignificante das criaturas. odeio ter essa incapacibilidade de amar alguém, de manter uma relação. odeio me sentir impotente diante de uma situação dessas. mas como diz o ditado, com amor, amor se paga não é? é nessas horas de ânsia pelo inevitável que aparece mais uma vítima indefesa da minha frigidez emocional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois que este seja um aviso prévio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-5370345036474926174?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5370345036474926174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/5370345036474926174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/aviso-prvio.html' title='Aviso prévio.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-4246709875798598130</id><published>2007-08-16T09:03:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:33:35.086-08:00</updated><title type='text'>Ryan e Taylor.</title><content type='html'>- Então o que você esta dizendo?&lt;br /&gt;- Até que eu possa ser mais forte por conta própria, eu acho que não deva ficar com ninguém, inclusive você. Me desculpe.&lt;br /&gt;- Ok, na verdade isso faz sentido.&lt;br /&gt;- Mas eu vou guardar esse poema pra sempre.&lt;br /&gt;- Foi de coração. Só pra você saber...&lt;br /&gt;- Eu sei... Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- The O.C. - 4º Temporada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-4246709875798598130?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/4246709875798598130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/4246709875798598130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/ryan-e-taylor-ento-o-que-voc-esta.html' title='Ryan e Taylor.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-2724553938465511679</id><published>2007-08-16T09:02:00.001-07:00</published><updated>2007-11-19T14:33:12.311-08:00</updated><title type='text'>Closer.</title><content type='html'>Alice: Cadê esse amor? Eu não posso tocá-lo. Eu não posso vê-lo. Eu não posso senti-lo. Eu só ouço algumas palavras, e eu não posso fazer nada com suas palavras fáceis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Closer - Perto demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-2724553938465511679?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2724553938465511679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2724553938465511679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/closer.html' title='Closer.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7273363121614437508</id><published>2007-08-16T08:58:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:32:49.911-08:00</updated><title type='text'>Ryan e Marissa.</title><content type='html'>Marissa: Oi&lt;br /&gt;Ryan: Oi, como foi seu fim de semana?&lt;br /&gt;Marissa: Tive melhores. Te liguei ontem.&lt;br /&gt;Ryan: Eu sei... Isso foi difícil...&lt;br /&gt;Marissa: Você não precisa dizer...&lt;br /&gt;Ryan: Não, não, eu preciso...&lt;br /&gt;Marissa: Não, eu sei...&lt;br /&gt;Ryan: Só não...&lt;br /&gt;Marissa: ... Esta dando mais certo.&lt;br /&gt;Ryan: Difícil de acreditar que depois que passamos não temos nada a dizer.&lt;br /&gt;Marissa: Nunca fomos bons com palavras mesmo. Até mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- The O.C. - 3º Temporada - Cap. 16.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7273363121614437508?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7273363121614437508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7273363121614437508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/ryan-e-marissa.html' title='Ryan e Marissa.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-2519874362564046836</id><published>2007-08-16T08:57:00.001-07:00</published><updated>2007-11-19T14:36:26.347-08:00</updated><title type='text'>Onde assino?</title><content type='html'>Estou seguro de que esta é a mulher. Quero passar o resto da minha vida com ela. - Ser-te fiel, amar-te e respeitar-te. - Por mim, tudo bem. Eu quero que o rosto dela seja a última coisa que eu veja à noite e a primeira que eu veja de manhã. Quero ver esse rosto mudar com o passar dos anos. Quero conhecer todas as pintas do seu corpo, guardar todos os seus traços na memória. - Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza. Até que a morte nos separe. - Pode contar comigo. Ótimo. Fantástico. Onde é que eu assino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caio Henrique Caprioli.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-2519874362564046836?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2519874362564046836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/2519874362564046836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/onde-assino.html' title='Onde assino?'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-3377324779666044060</id><published>2007-08-16T08:52:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:32:12.777-08:00</updated><title type='text'>Um alvo.</title><content type='html'>Então o garoto abriu a porta, desceu as escadas e saiu correndo pela porta do edifício.&lt;br /&gt;Ele corria por aquelas ruas que já conhecia. Corria... Não sabia onde queria chegar, mas continuava correndo.&lt;br /&gt;Queria correr. Precisava correr.&lt;br /&gt;Como se alguém fosse o pegar, como se aquela angústia toda estivesse tentando o alcançar...&lt;br /&gt;Então ele corria, corria...&lt;br /&gt;Na esperança de chegar em algum lugar seguro. Na esperança de esbarrar em alguém que o abrace e lhe diga que é o seu mundo.&lt;br /&gt;Então ele corria...&lt;br /&gt;E quando cansou de correr, se viu em um lugar desconhecido.&lt;br /&gt;O sol batia forte. O calor vinha das pedras em que pisava. Mas ali havia a sombra. A sombra embaixo daquela árvore.&lt;br /&gt;Era tudo o que ele precisava. Ele caminhou até a árvore e deitou-se em sua sombra.&lt;br /&gt;Como se ali ele estivesse à salvo. Como se ali ele deixasse de ser um alvo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-3377324779666044060?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/3377324779666044060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/3377324779666044060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/ento-o-garoto-abriu-porta-desceu-as.html' title='Um alvo.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8576636775430470452</id><published>2007-08-16T08:49:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:31:10.154-08:00</updated><title type='text'>Estou indo.</title><content type='html'>- Não adianta tentar me convencer! Eu já tomei minha decisão. Eu não sou feliz aqui. Eu não gosto desse lugar, nada dá certo pra mim aqui. Além do mais, ninguém gosta de mim.&lt;br /&gt;- E eu? Como você pode ser tão injusto? O que importa se são 20 que te odeiam? Você tem é que dar valor àqueles que te amam, não importa se forem 10, 5, 2...&lt;br /&gt;- Não tente me convencer. Estou indo.&lt;br /&gt;- Vai! E vamos ver se você vai encontrar essa felicidade...&lt;br /&gt;- É o que você quer, né?! Que eu realmente não a encontre...&lt;br /&gt;- Cala a boca! O que eu estou te falando é que não adianta você mudar de cidade, conhecer novas pessoas... Essa infelicidade está em você! Não nos outros...&lt;br /&gt;- Então o que você quer que eu faça?!&lt;br /&gt;- Fica aqui! Por favor! Não me deixa aqui sozinha... Eu te amo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8576636775430470452?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8576636775430470452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8576636775430470452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/estou-indo.html' title='Estou indo.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-7860583868645933184</id><published>2007-08-16T08:46:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:30:40.819-08:00</updated><title type='text'>Chandler e Monica.</title><content type='html'>Monica: Ainda não quero olhar para você.&lt;br /&gt;Chandler: Me diga o que tenho que fazer.&lt;br /&gt;Monica: É sempre assim...&lt;br /&gt;Chandler: Piso na bola, você me diz o que tenho que fazer, eu faço... e você me acha gracinha.&lt;br /&gt;Monica: Eu cansei de ensinar você namorar, vai ter que se virar sozinho desta vez, certo?! Se tem medo de namorar... Não namore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Friends – 5º temporada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-7860583868645933184?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7860583868645933184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/7860583868645933184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/chandler-e-monica.html' title='Chandler e Monica.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-8436376056930189076</id><published>2007-08-16T08:40:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:30:03.980-08:00</updated><title type='text'>Meia-noite.</title><content type='html'>Meia-noite, que horário feio, as lendas dizem que tudo ocorre á meia-noite.&lt;br /&gt;Andei em círculos, olhei no relógio, ouvi os sinos vindo à igreja.&lt;br /&gt;Meu pai dormindo, minha mãe não mais presente e meus irmãos sonhando.&lt;br /&gt;Eu acordado, esperando alguém tocar.&lt;br /&gt;Minutos de angústia, eu parado, sentado, ouvindo a quarta batida do relógio.&lt;br /&gt;Oitava, nona, ouvi um ruído, alguém tinha acordado? Não podia ser, essa noite tinha que ser perfeita. Era nossa noite, nosso aniversário, eu tinha decorado todo o quarto, tinha arranjado tudo, seria inesquecível pra ela.&lt;br /&gt;Décima. Pensei no dia que estaria por vir, iria levar ela ao teatro, só nós dois naquele palco imenso, sem nenhuma platéia, ia me declarar pra ela, ajoelhado aos seus pés, teatro é o que ela gosta de fazer, ela iria se derreter. Ia colocar aquela música que nós amamos, ia dizer algo no seu ouvido e dançar com ela. Seriam alguns minutos de fim do mundo.&lt;br /&gt;Onze. Me levantei. Estava pronto. Finalmente.&lt;br /&gt;Doze.&lt;br /&gt;Um barulho. As luzes se apagaram. Um grito.&lt;br /&gt;Um Monza havia atropelado uma menina na porta da minha casa. Reconheci o rosto. Ela havia sido pontual. Era ela, deitada no chão, de olhos arregalados.&lt;br /&gt;Ouvi-a dizer: "Te amo."&lt;br /&gt;Acordei suado. Foi quando ouvi o décimo segunda badalar.&lt;br /&gt;Mas a vida tinha começado. Os anjos disseram amém!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Caio Henrique Caprioli.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-8436376056930189076?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8436376056930189076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/8436376056930189076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/meia-noite.html' title='Meia-noite.'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4158499529540525534.post-518189652021939052</id><published>2007-08-16T08:26:00.000-07:00</published><updated>2007-11-19T14:29:30.974-08:00</updated><title type='text'>Feliz?!</title><content type='html'>- Feliz?!&lt;br /&gt;- É, feliz. Você é feliz?&lt;br /&gt;- Ora, claro – respondi.&lt;br /&gt;- Não feliz – repetiu. – Você sabe, contente.&lt;br /&gt;Não tinha certeza absoluta do que estava falando. Não só não conseguia me imaginar contente, como, principalmente, não queria me sentir assim.&lt;br /&gt;- Eu me sinto ótimo – Sou feliz, a não ser por algumas coisas na minha vida que precisam ser mudadas...&lt;br /&gt;Por exemplo, todas – o pensamento se impôs à consciência. Minha vida amorosa, minha carreira, minhas finanças, meu rosto. Meu passado. Meu presente. Meu futuro. Mas, tirando isso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Férias - Marian Keyes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4158499529540525534-518189652021939052?l=auricioau.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/518189652021939052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4158499529540525534/posts/default/518189652021939052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://auricioau.blogspot.com/2007/08/feliz.html' title='Feliz?!'/><author><name>Au</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
